segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Terra do nada



Terra do nada
O que será?
O que será?
O que será do mar, do mar,
do mar, será do ar?
O fogo ocupa, o que será do fogo,
Do fogo que espalha o ar,
O fogo do mar?
O mar de fogo, o que será?
Arder, ardor, ar, fogo!
Quem, quem, queimar!
O ar, o que será?
O mar de fogo que sobe,
Que sobe para o ar,
Atrás de um Deus,
Pseudo-religião, pseudo-realidade.
Ar! Ar!
Onde?
O fogo sobe e o ar ocupa.
Enquanto o mar desce,
Desce.
Seca, secando, secou!
Fogo que queima, derrete,
Derrete o mar.
O mar de gelo esquenta o espelho...
Espelho que olho,
Olho e vejo o ar,
O ar que é negro, o ar e o mar.
O que será?
Terra sem ar, sem mar,
Com fogo, com sede de mar.
O ar negro reflete o que será!
O que será?
Será o mar de ouro,
O ar de roubo, a terra sem ar.
Mas há!
Há fogo, sem gente, sem gente,
Sem semente, com ouro, com fome de gente.
Enquanto explode a guerra,
a guerra por terra, por mar,
por mar, por terra...
A gente olha e inspira
o ar que é cinza.
Vermelho, preto, cinza!
Cinzas em cima do mar,
do que restou.
Sobra, sobrou,
restou do mar de água.
Água rara!
É seco, seca!
Sem ar, seco!
Sem água, seca!
No chão, chamas.
No ar, cinzas.
No mar, nada!
Sal, sede, sol, nada!
Ouro!
Nadar no mar de nada!
De nada, por nada,
porém... Obrigada!

Marina Oliveira

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