quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O dia que menti em casa...


Choveu!
Mas não eram gotas normais,
Era minh´alma que derramava lágrimas.
Inundou o meu dia, o meu ar.
Eu ria por fora, mas dentro ainda gotejava.
O dia que menti em casa...
Minha terra parou!
Comigo, meu labéu.
Conheci alguém que não era eu, ou era... Talvez
um devaneio, talvez realidade.
Apenas aconteceu!
Uma partícula de mim saiu,
não pude impedir...
Criou vida e lá se foi!
Ousadia achar que não posso errar,
Mas eu achei!
Errei!
Mentira soberana,
tornou meu céu cinza...
Não!
Era púrpura de decepção!
No dia que choveu em casa, eu menti para mim!


Marina Oliveira

Um parto


É como um parto.
Contrações e emoções envolvem-me
ao último vestígio de alma.
Falam-me!
Comem-me!
Devassam-me!
Revelam-me!
Um arrepio toma meu corpo e me arde!
Estou para ter, e vai nascer aqui de dentro.
Sem leito...
Na rua, no chão, nasce do pedaço de ser mais límpido
que não sou.
É como um parto!
Me abro e expulso este meu filho, feito de explosões
desconhecidas de palavras.
Palavras que sentem, queimam...
Sai do espírito humano o poema sem dono,
Que revela com agonia o mais injusto dos sentimentos.
Escrevo por amor a nada!
Escrevo de raiva àquele que me usa
e abusa, me envaidece, me entorpece.
O amor...
É como um parto!


Marina Oliveira

Puta


Puta!
Catapulta!
Catar puta!
Pura puta!
Puta impura,
que sente!


Marina Oliveira

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tempo


O tempo passou e me deixou
A derreter.
O tempo derreteu e me passou.

O tempo leva e me deixou;
Sem tempo,
Sólido ou líquido...

Eu passei sem olhar
o tempo.
Derreti sem me levar.

O tempo sem tempo de
Ter eu.
Eu sem eu para ter tempo.

Eu me engolir,
e ele fugiu...
Surreal!
Sem mim ele saiu!


Marina Oliveira

Homem


És tu que és sem ser.
Um quente aroma que laça meu corpo
em teu abraço.
Você é sem saber a mais bela das criaturas.

Temperatura que afugenta
qualquer vestígio de frio.
Boca que encontro em macias
pétalas de negras rosas.
Movimentos que soam como a brisa...

És tu, homem meu,
que é sem ser.
Se vai como o sol em um final de tarde,
mas sempre retorna clareando
a lua com seu sorriso radiante.

Perfume de terra nativa,
por ti darei a vida que não tenho.
E em teu corpo entrego-me,
a vida, a morte.

Percorro as entrelinhas do teu
sabor de fruta fresca...
Homem que é sem ser!
Se soubesse o quão fervoroso é, entregava-se
as águas límpidas que em mim passa.

Vem e aquece minh’alma
como numa senzala que de
suor transborda,
lotada.

Cá te espero para levar-me
a um universo escuro e quente;
Que em sua presença é infinito que
ferve entre as mãos...
És tu homem, que é sem ser!


Marina Oliveira

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Meu Brasil




E andando, parando, sorrindo, chorando, cantando, fingindo, gritando, calando, morrendo, sofrendo, amando, e sempre lutando, torcendo, correndo, vivendo, sobrevivendo, me esforçando, trabalhando, caminhando e torcendo…
Sempre torcendo pela pátria, pelo time, pelas cores, pela bandeira e pelos jogadores.
Jogadores: os que correm, os que pulam, os que nadam, os que vencem, os que choram, porém sempre lutam.
Meu Brasil, um país de jogadores e de dores.
De graças e desgraças, um país com taça ou sem taça...
Um país de garras porém gastas!


Marina Oliveira

Hoje



Hoje acordei olhei pela janela e…
Não vi um dia lindo de sol, nem pássaros cantando, e crianças brincando no jardim.
Hoje olhei pela janela e me deparei com um dia nublado, crianças chorando em um jardim de sofrimento, pessoas doentes e morrendo de fome.
Em um breve instante eu parei e pensei:
Hoje ao olhar pela janela, eu vi o Brasil, uma terra linda mas apesar de sua beleza estonteante existe uma ferida que não irá se curar tão fácil.
Queria hoje olhar pela janela e não ver corruptos nem famílias chorando miséria e crianças em sinaleiras.
Hoje, queria apenas olhar pela janela e ver a paz!


Marina Oliveira (Meu primeiro poema! xP)

Boneca de Porcelana




Alguma coisa acontece lá for a, mas eu só vou à escola.
Parada, trancada, calada.
Sozinha e aprisionada em meu mundo sem fundo, sem nexo.
Boneca de porcelana, mal posso cair na lama, e quando caio alguém me lavanta, eu não me lavanto! Mas vou levando.
Confesso tenho tudo que quero, mas não me manifesto. Sempre correta, quando não...
Alguém me concerta, tranca-me, e eu apenas me calo em meu mundo fechado. Talvez bebendo... eu vou correndo, isso não me conforta, me confronta!
Fico tonta, mas de nada adianta.
Preciso apenas de liberdade, liberdade para errar, para chorar.
Mas enquanto ela não chega, eu continuo escrevendo meus versos mudos, incertos e incorretos.


Marina Oliveira

Terra do nada



Terra do nada
O que será?
O que será?
O que será do mar, do mar,
do mar, será do ar?
O fogo ocupa, o que será do fogo,
Do fogo que espalha o ar,
O fogo do mar?
O mar de fogo, o que será?
Arder, ardor, ar, fogo!
Quem, quem, queimar!
O ar, o que será?
O mar de fogo que sobe,
Que sobe para o ar,
Atrás de um Deus,
Pseudo-religião, pseudo-realidade.
Ar! Ar!
Onde?
O fogo sobe e o ar ocupa.
Enquanto o mar desce,
Desce.
Seca, secando, secou!
Fogo que queima, derrete,
Derrete o mar.
O mar de gelo esquenta o espelho...
Espelho que olho,
Olho e vejo o ar,
O ar que é negro, o ar e o mar.
O que será?
Terra sem ar, sem mar,
Com fogo, com sede de mar.
O ar negro reflete o que será!
O que será?
Será o mar de ouro,
O ar de roubo, a terra sem ar.
Mas há!
Há fogo, sem gente, sem gente,
Sem semente, com ouro, com fome de gente.
Enquanto explode a guerra,
a guerra por terra, por mar,
por mar, por terra...
A gente olha e inspira
o ar que é cinza.
Vermelho, preto, cinza!
Cinzas em cima do mar,
do que restou.
Sobra, sobrou,
restou do mar de água.
Água rara!
É seco, seca!
Sem ar, seco!
Sem água, seca!
No chão, chamas.
No ar, cinzas.
No mar, nada!
Sal, sede, sol, nada!
Ouro!
Nadar no mar de nada!
De nada, por nada,
porém... Obrigada!

Marina Oliveira

Continuo a mesma!


Mas um ano se passou porém nada mudou, as pessoas continuam as mesmas, e eu continuo a mesma. Evoluir é claro, mas no fundo continuo uma única pessoa!
Com minhas dúvidas, críticas, perguntas e respostas. Não importa o ano, se é sábado ou domingo. Passo os dias aprendendo como viver e coletando por onde passo pedaços de mim...
Acabou a festa, porém o céu continua o mesmo e minha vida continua a mesma, e eu...
Ah! E eu continuo arriscando, quebrando regras e promessas.


Marina Oliveira

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Que mundo é esse?


Papel
Caneta
Tinta
Quarto
Bronzeador interno,
para passar o inferno
que na verdade n existe...
Estou triste,
estou alegre,
estou alegre!
Estou inerte...
Retrato
Passado
Presente
Rimas fáceis e baratas
constroem estradas
do meu chão!
Mas eu sou feliz!
Faço o que gosto
e não olho os outros.
Que me olhem torto!
Sigo cantando
Canto pra mim...
Escrevo para passar!
Pensar que tudo começa
e um dia acaba.
E eu...
Dou risada,
e continuo a sorrir para quem quiser ouvir,
talvez só pra mim.
Que mundo é esse em que vivo?!
Aqui,
tem arco-íris,
tem teatro,
tem pipoca
e tem palhaço!
Sou uma criança feliz!
Sou um adulto aprendiz...
Eu sou feliz!
Abraço
Irmão
Saudade
Arte
Tarde
Cinema
Poema
...


Marina Oliveira

Cigarros, poemas e existência...


Acendo um cigarro,
penso na existência,
como posso pensar em existir
se fumo um cigarro!?
Escrevo poemas sobre a existência,
porém fumo um cigarro.
Como será existir pelos poemas
e morrer pelo cigarro??
Porém,
tudo acaba com os cigarros,
e se renova com as poesias...
Não sei se paro de fumar
ou paro de escrever...
Parar de existir é mais demorado,
por tanto,
posso diminuir a existência
fumando alguns cigarros.
E os poemas!?
Eles acabam como os cigarros?
Ou evoluem como a existência?
Cigarros,
poemas
e existência,
eu morro,
eu vivo,
ou eu cresço?!


Marina Oliveira

Somos muitos...


Somos muitos,
mas temos pouco,
para nós sempre temos pouco,
apesar de sermos muitos.
Temos pouco dinheiro,
pouca beleza,
pouca sorte,
na verdade,
nunca temos nada!
Somos insatisfeitos,
ambiciosos,
preconceituosos,
somos tudo,
mas sempre achamos que temos pouco.
Queremos sempre mais,
somos uma máquina demolidora
e passamos por cima de tudo
e de muitos outros.
Temos pressa,
temos tanta pressa
que engolimos a nós mesmos.
Somos capazes de apressar
nossa longa vida.
E de pouco em pouco,
escondemos nossos vários valores
dentro de uma caixa,
deixando fora nosso caráter de porco.
Temos pouco,
somos tolos e
somos muitos!


Marina Oliveira

Solução


As vezes fico me perguntando
o que é o universo?
Algo complexo e com distintas
explicações...
As vezes me pergunto o que somos?!
Que ser é esse que tem o poder
da criação e o instinto da destruição?
Tão diferentes uns dos outros.
Por que choramos?
Qual o sentido da existência?
O que será o amor?
O que é tristeza?
São tantas dúvidas,
tantas exclamações
que acabo me perdendo
entre as estrelas e galáxias,
entre meu próprio cérebro.
E as flores,
os animais,
a água!
O que acontecerá daqui
a algumas décadas,
com todo esse lixo humano,
com toda essa guerra?
Será que vamos continuar
com uma visão fantasiada
da nossa própria vida?!
Qual será a solução?!
Se é que ainda existe saída
na mente de pessoas
tão fúteis e prepotentes!


Marina Oliveira

Talvez.


Talvez um dia eu consiga terminar
de fazer tudo o que quero,
talvez eu morra cedo demais.
Quero revolucionar o mundo
com a incerteza da sobrevivência.
Quero gritar,
ser diferente,
acho que nunca fui normal
nem casual.
Não pretendo,
não quero que gostem de mim!
Todos os meus ídolos foram assassinados,
se é que um dia chegaram a existir
na insolência das minhas dúvidas
sem sentido algum.
Quero mudar,
agredir,
sobreviver a uma geração conformada.
Nada irá sobrar,
pois tudo o que tenho de melhor
irá morrer junto a mim.
E aonde quer que eu vá,
o fantasma da minha inquietude
irá me acompanhar,
me fortalecendo
para que eu possa exigir de mim
e dos outros tudo aquilo
que um dia sonhei em fazer,
mas não tive coragem de falar,
de me expressar,
de mostrar toda a minha raiva
e angústia perante
uma sociedade egoísta
e hipócrita.


Marina Oliveira

Transformação instantânea


Hoje pode ser único porém eterno.
Posso explodir de tamanha adrenalina
que salta do meu corpo
sem pedir permissão alguma,
tomando a superfície infinita
das minhas palavras,
Irregulares como uma bússola defeituosa,
Sem sentido,
atingindo alvos indefinidos.
Buscando respostas vagas
em corpos inexistentes.
Criando personagens
de introversão momentânea...
A espontaneidade prevalece,
machucando pessoas inocentes.
Assim transformo instantaneamente
meu eu em sinceridade absoluta,
em liberdade,
em vida!


Marina Oliveira

Para minha pequena prima Anna.


Minha cara irmã,
minha grande amiga.
Prima!
De algumas horas...
Várias histórias em raros momentos
me vêem a cabeça quando lembro
daquela tarde preenchida por risadas.
Das noites ingênuas e ensolaradas
em que passávamos conversando sobre a vida,
que nem sonhávamos em ter!
São inúmeros momentos de brigas
e danças carnavalescas
seguidas por mergulhos na piscina
da nossa infância...
Brincadeiras breves
de borboletas livres que dançavam
conforme a música.
Ainda lembro daquele dia,
no parque,
em que corríamos de um lado
para o outro transbordando alegria.
Nossas pequenas férias que passávamos juntas,
isentas de responsabilidades...
Ah! que saudade sinto dos
nossos curtos momentos
de grandes sonhos.
Éramos tão felizes,
minha prima Anna!
Se soubesse que crescer doía,
eu permaneceria sempre criança
nos momentos reais.
Mas agora,
minha querida Anna,
só restam lembranças,
doces e lindas lembranças
de anjos adultos.


Marina Oliveira

Algum tempo...


Saudade do tempo em que nós brincávamos no céu...
Entre os anjos e as estrelas!
Dos dias em que virávamos pássaros
no meio da nevoa que cobria nossos olhos;
nos fazendo relaxar e navegar
pelos nossos sonhos...
Que saudade do tempo que éramos crianças adultas e corríamos pelas nuvens
de várias formas e fórmulas
Tempo bom...
Nossas risadas na praça durante tardes enluaradas
Que saudade!


Marina Oliveira

Salvem as formigas!


O tamanho das coisas é algo indefinido. O que será o homem comparado a terra? E a terra em relação ao infinito? Somos partículas microscópicas em relação ao universo! As formigas, quando comparadas às galáxias se transformam em seres inexistentes. Nós somos grãos de areia, entretanto achamos que podemos passar por cima das pobres formigas. Esquecemos que o tamanho das pessoas é insignificante para o planeta. Esquecemos também que ele pode passar por cima de nós, assim como fazemos com as formigas. As estrelas, por sua vez matando podem engolir o mundo, as pessoas e as formigas que aqui habitam. As formigas crescem como praga, por isso nós as matamos. Imaginem agora, que nós, seres humanos somos uma praga em relação ao planeta. E se esse quisesse nos matar, assim como fazemos com as formigas?! Ele passaria por cima de nós e, conseqüentemente das formigas. Ou seja, todos nós somos iguais às formigas, mas continuamos pensando que somos o mundo, achamos que as galáxias e as estrelas giram em torno te nós. Com isso, descontamos injustamente nas formigas... porém ultimamente estamos passando por um processo de evolução! Não satisfeitos com as formigas, nós estamos atropelando, matando, desinfetando também os animais, as flores, as pragas e quiçá a própria raça humana!


Marina Oliveira

O Que Seria?!


O que seria dos olhos sem a visão?
O que seria do corpo sem o espírito?
Do amor sem gratidão.
Do desejo sem paixão...
Não seria!
Apenas estaria!

O que seria da música sem canção?
Do papel sem o escrivão.
Do palco sem ator.
Orquestra sem maestro.
Ordem sem progresso...
Não seria!
Apenas existiria!

O que seria da beleza sem o interior?
Dos santos sem o louvor.
O que seria do inferno sem o céu?
Da luz sem a escuridão.
Da vida sem alegria.
Da morte sem exaustão...
Não seria!
Apenas sobreviveria!

O que seria do frio sem o calor?
Do corte sem a dor.
Do medo sem coragem.
Do pintor sem paisagem...
Não seria!
Apenas sentiria!

O que seria dos sonhos sem a lembrança?
Do passado sem o presente.
Da cura sem sofrimento.
O que seria das estrelas sem o brilho?
Dos peixes sem o mar.
Da sorte sem o azar.
Da cabeça sem o pensar...
Não seria!
Apenas prevaleceria!

O que seria da política sem o ladrão?
Do senado sem mensalão.
Do Brasil sem corrupção.
Da paz sem solidão...
Não seria!
Apenas fantasiaria!

O que seria dos poemas sem as rimas?
Das letras sem o sentido.
Do pai sem o teu filho.
Dos poetas sem os livros...
Não seria!
Apenas usaria!

O que seria do Rio sem as favelas?
Do Brasil sem coisas belas.
Da Bahia sem as mulatas.
De Sampa sem poluição.
O que seria da existência sem o rumo?
Não seria!
Apenas continuaria!

O que seria do palhaço sem a risada?
Da viagem sem estrada.
Da subida sem escada.
O que seria do tudo sem o nada?
Não seria!
Apenas terminaria!


Marina Oliveira/ Daniela Viegas

Infinito


O Infinito que construí
sob os meus olhos
não é o mesmo que você
deseja enxergar,
talvez não seja tão perfeito
a seus olhos.
Porém o que eu quero ver
está na simplicidade da vida,
na imperfeição das formas.
O infinito que construí
na linha da minha imaginação
é apenas um rascunho
da minha breve idéia de paraíso,
além do horizonte,
muito distante dos sonhos alheios,
mas próximo da minha felicidade.
O infinito que você tem
abaixo dos teus olhos
é a transformação da sua realidade
em algo menos doloroso...
Pois todos nós temos
uma leve tendência a perceber,
somente,
o que é mais cabível
para nossa pequena imaginação!


Marina Oliveira

As calçadas


Estou basicamente, perplexa. Voltando pra casa tive a noção do tamanho que é o problema da desigualdade social... Ao caminhar, percebi, que as calçadas das ruas estão de acordo com o bolso das pessoas que por ali passam, e não com o tamanho real do ser humano, ou seja, da sua dignidade. As calçadas deveriam se aliar a nós nessa terrível briga! Por exemplo, o Planalto Central, com toda aquela beleza, chão de mármore... Por lá andam apenas canalhas e corruptos! Enquanto nas ruas por onde passam pessoas dignas de respeito, as calçadas fedem, são sujas... Não deveríamos dar o devido valor às pessoas simples e honestas? Aonde vamos chegar?


Marina Oliveira

Vamos comemorar!


Vamos comemorar!
O reinício de uma era corrupta.
De mentiras no topo de nosso país.
Estamos perdendo a esperança!
Vamos comemorar!
A sociedade extremamente cega,
aos jovens deficientes de opiniões.
Vamos comemorar a mais quatro anos...
Sem caráter!
Sem personalidade!
Sem vergonha!
Vamos comemorar!
Cabeça apenas para usar boné!
Como podemos lutar contra o poder, c
ontra o Brasil?!
Vamos comemorar!
Voltaremos tudo outra vez!
Vamos comemorar mais uma vez a morte,
a morte de nosso país,
com tristeza,
choro e caixão!
Vamos apenas comemorar...
Analfabetismo,
fome,
miséria,
violência...
Vamos comemorar ao presidente!
O Brasil está ficando igual a ele.
As pessoas também estão ficando iguais a ele.
Vamos comemorar...
Sofrendo calado,
afinal...
somos burros iguais a ele!


Marina Oliveira

Perdemos a vergonha




Perdemos a vergonha de matar! Estamos cercados de assassinos, assassinos da própria pátria.Perdemos a vergonha de morrer, de nos matar. Vamos caminhando junto à empáfia que nos destrói. Banalizamos os corruptos, fechamos os ouvidos para os escândalos, nos permitimos odiar e ser odiados. Aos poucos vamos, nos tornando psicopatas, frios e calculistas. Estamos de olhos vendados, mandamos a realidade para a puta que os pariu! A primavera esta por vir, porém as folhas não param de cair, de perderem-se dentre os jardins. Neste momento, torcemos pelo vilão da história, estamos cansados de finais felizes. Na verdade o que realmente queremos é matar, matar a verdade, dissipá-la de vez. Não percebemos que estamos adoecendo nossa juventude. Vamos comprar! Comprar humildade, pessoas, identidades... Transformamos a crueldade em um sentimento nacional e “estonteante”. Fizemos a autopsia do nosso país, e, não queremos enxergar a dura realidade que nos rodeia. Estamos afundando junto com o Brasil. Estamos sem governantes... Teremos que nos mudar, viajar urgentemente! Porém, de avião não dá né?!


Marina Oliveira

Poeta


Poeta que vem de longe.
Mal sabe ele
que aqui na terra grande,
não há tamanha sorte.
Poeta que vem de lá,
eis o que sabe dançar,
eis aqui o homem.
Este sabe jogar com as palavras.
Poeta que enobrece paisagens.
Converte solidão em alegria.
Faz do teu riso um motivo para que,
Marina o deixe navegar,
extensamente como o mar.
Poeta que adormece embalado
pelo vento da tarde,
ele fica a admirar o canto dos pássaros.
Ele fica com as borboletas
de toda a cidade.
Pobre menina que o escolheu para amar...
Mal sabe ela que ninguém nesta vida
irá carregar o liberto coração do poeta.
Poeta que nasceu
sob o efeito do verbo passar,
deixando pra trás amores
de borboletas que não o deixem voar.


Marina Oliveira

Demais


A vida é rápida demais,
e nós somos desunidos demais.
O mundo corre em seus movimentos
e pessoas ficam para trás.
O ser humano é desumano!
E nós continuamos semeando
o abandono de crianças.
As crianças são o futuro
que nós especulamos,
mas a vida gira rapidamente...
Nós somos carrascos,
vastos e baratos.
Nossa floresta é grande demais,
e nós que somos animais.
Aos poucos a imensidão se esconde,
enquanto nós aparecemos demais!
Desencontramos os contos dos sonhos reais,
nós somos demais.
Nas ruas o gás que deixamos pra trás,
deixamos atrás,
ficamos atrás.
Atrás do gás que colocamos à frente,
à frente do mundo,
do mundo do luxo,
do lixo.
Existem caminhos fáceis demais,
porém, errados demais.
Pessoas correm pra trás,
e o mundo corre atrás.
Conversas vagas saem de corpos
bonitos demais.
E mais!
Consciência de menos
exala mentira.
Humanos alienados são demais!
Nas prateleiras sentimentos artificiais,
nós encontramos demais.
E o mundo da voltas,
e nós damos voltas,
a vida da voltas,
e tudo se enrola,
se enrosca,
se perde,
se compra...
Em uma sociedade em que
a ‘riqueza’ é demais.


Marina Oliveira

Escreva!


Pois então escreva!
Escreva com incerteza,
sobre suas fraquezas.

Escreva pra quem vai,
escreva pra quem fica.

Escreva em demasia.
Vomite algumas palavras
que te tragam alegria.

Desenhe algumas besteiras
que te levem à alguma certeza!
Pare para olhar as ondas deste mar.

Pois então escreva!
Experimente os seus ânimos,
exorcize o seu mal.

Escreva a um amigo.
Escreva impurezas.
Coloque no papel,
coisas sobre o céu.

Escreva suas rimas,
fale das meninas...

Demonstre insegurança,
escreva à suas lembranças!

Escreva desconcentrada,
para dar risada!

Escreva nostalgias,
fale de alegria!
Escreva para mim,
alguma coisa sem sentido...

Pois então escreva!
Ilumine com palavras s
ua roda viva desgastada.

Escreva no começo,
escreva pelo meio...

Escreva pra mostrar
que tudo pode acabar!


Marina Oliveira

Vida de borboleta




Borboleta que nasceu,
nasceu para encantar.
Que vive pra voar
e enche de vida nosso
mundo tão “pequeno”.

Borboleta colorida,
que dura pouco tempo
e transborda sua beleza
pelos ares desta terra.

Singela borboleta,
breve como um sopro,
se eu pudesse viveria
pra seguir os seus caminhos.

Fico a admirar o seu dom,
borboleta,
que transforma um instante
em alegria eterna;
que guia os solitários e da vida as flores...

Vida.
Esta pequena palavra
descreve o teu ser!

Viver sem saber
quanto tempo irá ficar,
assim,
dançando pelo ar...

Borboleta furta-cor,
como é não sentir dor?
Borboleta tão bonita,
que se perde dentre os campos
e embala alguns sonhos...

Morrendo livre e deixando no ar
um pouco de encanto.

Borboleta eloqüente,
me diz porque eu sou gente?


Marina Oliveira

Olhar Subentendido

Foi da janela do meu quarto que vi o sol nascer,
senti-lo tocar o meu corpo,
e aos poucos me cobria de luz e alegria.
Da janela do meu quarto ouvi a sua voz
que se escondia dentre as nuvens,
convidando-me a voar sem direção.
Acompanhei todos os movimentos,
de todos os ângulos em todas as horas...
Da mesma janela eu vi o sol se pôr,
meu peito se encheu de dor ao ver
que tudo aquilo não se passava de sonhos.
Apoiava-me na sacada
e derramava lágrimas de decepção.
O sol sumia e das minhas lágrimas a lua nascia
trazendo com ela gotas brilhantes
que espalhavam-se no meu céu.
Foi quando notei que da janela
do meu quarto posso ver infinitas coisas,
porém, as mais belas brotam de dentro de mim...


Marina Oliveira

Um texto, uma tarde.


Falaram-me pra escrever um texto. Um texto sem começo, sem meio, sem fim. Era apenas um texto, uma dissertação sem sentido sobre coisas que imaginei. Vou escrever sobre as aves que no céu avistei, escrever sobre o reggae que na tarde escutei. Irei construir um texto, falando pelo meio de pessoas que não encontrei... Disseram-me pra escrever um texto depois da tarde e assim farei! Falei! Irei falar coisas sobre o céu e o mar, colocarei na face deste papel frases feitas construídas com incerteza... Mas com certeza de que alguém vai lê-la. Expressões pré-fabricadas que um dia escutei de pessoas que conversei. Risadas demasiadas, estradas dependuradas, coisas fantasiadas que naquela tarde lembrei... Falaram-me pra escrever um texto, mas um texto eloqüente falando sobre mentes que um dia tentei entender. Posso falar de beleza, de tristeza, é apenas um texto... Posso lhe contar uma decepção, posso lhe mostrar uma construção; a construção de um texto, de uma tarde. Um texto sem fim, um trecho de música ou coisa assim. Neste momento eu vou começar, vou finalizar palavras misturadas que te levem a pensar. Te levarei nostalgia, encontrarei alegria... Farei um texto pelo meio que irá idealizar pessoas inexistentes que andam sobre o ar. Como falei no início, me disseram pra escrever um texto, e assim farei!


Marina Oliveira

Por Quê?


Andrógeno
Andando em falso,
camuflado.
Homem, tanto faz...
Louco, perfeito, incerto!
Bonito, assustador.
Ali estava,
dançando.
Aurora,
como?
Tropical,
o que?
Ocê!
Tecnológico, música.
Pagode não!
Pimenta talvez,
não sei...
Onda,
beleza psicodélica.
Falar no telefone,
com quem??
Não sei!
Viciada, em que?
Tudo vira em doido,
porque.
Estrela, pipoca...
No ar, peixes no chão.
Sim!
No fundo,
caneta.
Coberta? Haha
Mangueira,
água suja.
Mulheres,
não sei de existência.
Formigas na calça.
Salgado, agora!
Não!
Doce à tarde...
Remédios, sono.
Nos dias...Quando?
Carro, correndo.
No vento.
Cochila na rua,
o sonho.
Na mochila.
Não!
Pulseira.
Na mesa.
Não entendo!
Compreendo morrer.
Nascendo no sol,
a flor...
Tem nuvem??
Depende!
Não sei...
Por quê?!


Marina Oliveira

loucos


Dias ociosos se passam,
e me restam apenas sonhos em vão,
sonhos que jamais tive prazer
de sonhá-los.
Desejos que nunca
saíram do papel.
Vontades que vão e vem
como as ondas...
Aos poucos,
loucos os que ousam sonhar.
Loucos os que se permitem imaginar
coisas doces em um ambiente onde
a poluição nos corrompe.
Os loucos são mais felizes!
Pois não se deixam levar,
aos poucos,
pelos dizeres dos outros!
Loucos os que sabem amar...
A loucura transforma realidade cruel
em utopia.
Ensinando normais a pensar,
os loucos são os que sabem falar.
Assim deixo a loucura me levar,
para um dia eu poder lhe contar,
que aquilo que via,
não é o mesmo que está no fim do arco-íres...
Irei lhe mostrar os potes de ouro,
dos loucos que sabem cantar.
Estes sim,
estes são ricos.
Ricos por dentro!
Pois nenhum documento irá
me falar o que você pensa,
ou se sabe lhe dar com o mundo dos loucos,
com todo esse ouro
que irei lhe entregar.
Terá que aprender,
aprender a sonhar,
e a não se importar
com os loucos poetas que vão
lhe ensinar...
Ensinar a viver,
ensinar a amar!


Marina Oliveira