quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Amor Solar



Poderia possuir todos os planetas deste vasto universo,
Todos os cometas, asteróides e satélites
Brilhantes do céu, arco-íris, flor, terra, água...
Eu iria derreter a lua com o calor do sol e distribuir gotículas de amor pelo espaço sideral...
Ah! Se eu fosse dona de toda grandeza que circunda o sol...
Jamais deixaria chover sobre ele, para que nunca perdesse uma chama sequer;
Viveria sempre em eclipse solar...
Apesar de sua imensa claridade a lua continuaria sempre olhando e admirando o belo centro do universo.
Poderia tudo neste infinito, menos aproximar a pequena lua do seu ingênuo amor.
O Sol só existe longe da Lua.
E eu continuo esperando o nascer da plena beleza todas as manhãs.
(...)



Marina Oliveira

domingo, 20 de dezembro de 2009

Letras Sem Direção


acidez
dez
Lucidez
Sonho
um quarto...
Dia
diamante
mente.
metade...
uma explosão de fumaças multicoloridas.
legal
ilegal
chakras se abrem em sintonia
sinfonia de luz.
paz, amor, Letras Sem Direção...




Marina Oliveira

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O Comedor de Flores?!


Na imaginação dos pessimistas o homem come, tritura, mastiga uma flor e toda sua singeleza; para os otimistas a mesma que é digerida no estômago de porcos é capaz de rebrotar da sua alma... Para os realistas o mundo ainda pode ser salvo através da seiva, que apesar de não falar, já disse tudo e mais um pouco! Salva flor...



Marina Oliveira

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Seiva Flor


Flor é a parte que traz o saboroso fruto para o nosso mundo,
A parte mais sutil, a superfície da vida...
Flor é quando se tem amor, quando se vive com ventura.
É tudo que brota numa mistura de beleza, graciosidade, e alegria sem fim.
Flor é um estado genuíno que trás a verdade sempre ao lado.
É um raio de sol que aquece suas pétalas, uma gota de orvalho que escorre pelo caule.
É um sorriso estouvado, uma criança; é uma abelha que produz o suco mais doce,
Uma borboleta que cria mais flores...
Flor é tudo o que enxergamos com olhos infantis, de onde brotam as cores da paisagem.
Seiva é o que proporciona a existência de tamanha exuberância, é o que nutre.
É a energia substancial da virgem natura.
Uma junção de elementos vitais que transformam semente em arte.
Um líquido tão rico quanto à pura água.
Seiva Flor é a brisa que espalha o pólen, o perfume que o vento leva, o reflexo das cores na água dum rio, um pássaro que voa em busca de alimento...
É tudo que possui vida, que não destrói nem importuna outros seres.
Seiva Flor é o que o homem ainda não conseguiu imitar:
A singeleza de existir, extraindo apenas, o amor de tudo que brota do coração da mãe terra.
-Seiva Flor abriu a porta e falou que a Rosa não se encontrava.



Marina Oliveira

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Pirulicóptero


Estou de mudança.
Vou para uma casinha simples onde poderei desenhar em suas paredes com uma porçãozinha de lápis de cor que peguei quando fui embora.
É um lugar muito engraçado, pequeno por fora, gigante por dentro...
Na parede ao lado da minha cama, desenhei uma porta bem grande, para quando eu despertar num repentino estalo da noite, eu consiga passar com sonhos, estrelas, lençol e tudo que tiver passeando por meus devaneios no momento.
Desenhei em cima do meu criado mudo um alto falante, para que ele deixe de ser mudo e passe a conversar, contar suas fantasias para que todos possam escutar; fiz também uma flor meio árvore, cujo nome é Acróstico, assim não precisarei arrancá-la de seu belo jardim.
Rabisquei várias janelas para que o sol e a lua possam adentrar a qualquer hora; arranquei as portas do meu armário, assim as roupas poderão caminhar livremente.
Na geladeira fiz um pingüim enorme, alí ele estará sempre refrescado.
Coloquei alguns peixes no teto, pássaros e borboletas por todos os lados, desenhei o mar com toda sua grandeza na sala de estar...
E toda noite quando o sono chega, guardo os olhos na caixinha e saio porta afora carregando todo sonho e fantasia que a adultos insistem em me tirar.

OBS.: Somente crianças conseguirão dançar entre as metáforas deste texto.



Marina Oliveira

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Diálogo Confuso Num Mundo Globalizado.


-Quem é você?
-Eu sou... É... Hum... Eu sou eu!
Ora! Mas porque você quer saber quem sou?!
De que isso importa? Você não sabe quem sou?!
Então pra que perguntar?
-Mas quem realmente você é?
-Para que saber quem eu sou, se nem você sabe quem é?
-Eu sei quem sou! Sou apenas um nome qualquer, mas e você, com toda essa classe sabe mesmo quem é?!
-Sei sim! Vejamos... Eu sou o que consta no Registro Geral, apenas.


Marina Oliveira

Recortes de uma cabeça pensante


Recortes de revistas chuviscam o papel.
Descem pelo céu, atravessam a fala como um saboroso mel.
E vão dando vôos rasantes na imensidão da mente,
Dançando.
Reproduzem a infância, gritam a adolescência
E despejam gotículas salgadas quando passam de fase.
Vão caindo pelo chão,
Espalham-se...
Agora o Mar joga suas ondas e recolhe alguns recortes;
Recorta.
Vou colando na areia figurinhas de um sonho.
Mergulho ao som das águas cantantes, nado por toda essa paixão.
Depois volto a recolher alguns pedacinhos esquecidos,
Deixando-os ao pé do ouvido para ouvir uma boa história.
Assim vou andando com minhas revistas...
Trago-as para meu disco voador e vou processando letra por letra.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac...


Marina Oliveira

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


O exato momento para contar uma história é agora!
O sonho exibi-se de forma palpável e inesgotável.
O mundo cabe dentro da alma, basta SENTIR o invisível...




Marina Oliveira

domingo, 23 de agosto de 2009

Passarinho


Preciso de uma Arara,
Um Gavião
Com asas e garras,
Que possua muitas cores
E voe muito alto,
Atingindo o espaço.
Quero o mar de fundo musical,
O calor do sol,
A força das asas perfurando todo o ar.
Quero um Tucano para admirar
Uma Coruja a observar nas entrelinhas do escuro.
E por fim, um Beija-flor pra viver navegando por aí...
Voa passarino!

Marina Oliveira

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Luxo e o Lixo


Cansei das pessoas!
Cheguei à conclusão de que não possuo a tão respeitada virtude chamada paciência.
O mundo está cada vez mais arruinado e eu não tenho estômago para assistir a desertificação do meu lar.
As pessoas são tão mesquinhas que não conseguem enxergar que toda essa crise mundial é resultado de uma grande falha do sistema consumista, ou seja, ele não irá prevalecer por muito tempo. Ele é podre, está em decomposição.
Para que possuir tanto?
O Ser humano não precisa de dinheiro para sobreviver; o único bem necessário para sua existência é o mais destruído...
De quem é a culpa? Dos “exterminadores do futuro”, literalmente!
Sofremos grande influência da mídia. Nos deixamos ser controlados, subconscientemente, pela fantástica fábrica de sorrisos em larga escala.
Acreditamos fielmente na mudança de atitude dos OUTROS!
Mas, para que mudar não é?!
É demasiadamente confortável sentar frente à televisão, receber tonéis de informações sem ao menos refletir sobre o que é realmente passado. Adoecemos nossa juventude; o sistema capitalista transformou nossas crianças em fantoches que geram um lucro inacreditável.
É preciso deixar bem claro que além de todos os fatos, somos terríveis assassinos; pagaremos muito caro por dissipar, sem pena alguma, a verdadeira dona do mundo: a natureza.
Ainda tem gente que se pergunta qual a causa de tantas catástrofes...
A minha resposta para essa questão é: - A IRRESPONSABILIDADE e DESRESPEITO do homem para com os recursos naturais do nosso planeta.
A Fauna e a Flora são tratadas como inesgotáveis fontes de lucro.
Não tenho, ou melhor, não quero ter mais paciência para a falta de amor, para o egoísmo, hipocrisia, desperdício...
Qual a graça de viver entre prédios, buzinas, guerras, preconceito?!
É uma pena que eu não possa mudar o mundo, quer dizer, as pessoas. Contudo isso não me preocupa muito, afinal de contas, o tempo está correndo e quem vai fazer a verdadeira revolução é a Mãe Natureza.
Só pra lembrar: As potencias mundiais, os grandes impérios capitalistas estão desmoronando, virando pó...
Não vai demorar muito para um mísero pedaço de papel chamado dinheiro perder seu espaço por aqui.
-A terra é o Luxo, as pessoas que são o Lixo!


Marina Oliveira

Procura-se


Carro,
Carreta,
Combustível,
Logo ao lado,
Fumaça,
Automóvel.
-Árvore!
-Aonde?


Marina Oliveira

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Coqueiro


Um toco,
Sem côco,
Sem eiro.
No meio do nada
Habita um coqueiro.
Um toco,
Sem côco,
Sem água,
Oco,
Morto;
Porém, com raízes...



Marina Oliveira

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

As Quatro Estações


Para que sofrer se as flores brotam toda primavera?
E o sol brilha no verão;
No outono o vento leva as folhas antigas para renovar a vida;
No inverno a brisa mais fria congela as coisas boas...
O único sofrimento real dessa passagem é o rude e incorreto sistema.
Esse é o único motivo explicável para a palavra sofrimento, o resto é cor!



Marina Oliveira

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Menino dos Olhos Verdes.


Uma criança no corpo de homem
Um olhar verde esperança
Um sorriso largo e tímido
O menino dos olhos verdes
Traz consigo lembranças de um tempo bom.
Ele me trouxe,
Ele me fez,
Ensinou-me a sentir a vida com amor e paz de espírito.
O menino dos olhos verdes
Não tem os pés no chão,
E eu, sou que nem ele,
Sempre voando, voando, voando...
A vida é demasiadamente boa quando se sabe sonhar.
A riqueza vem de dentro e o espaço é sempre colorido
Para os que vivem na eterna infância.
O meu mandacaru canta e seu nome é Zé.


Marina Oliveira

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Malabares Mágicos


Tinham pessoas de todos os jeitos.
Alguns carregavam um animal exótico de estimação,
Cabelos confusos,
Cores inimagináveis,
Sorrisos largos e sinceros...
Um mundo a parte!
Na beira da praia,
Um som envolvente,
Sintonia entre corpo e mente,
Todos iguais, todos diferentes.
E a festa acontecia na lua
Na rua,
Na alma,
Na água,
Natureza perfeita, selvagem.
Um sonho, o começo de um novo tempo...
Um paraíso paralelo.
Longe de todas as regras e etiquetas.
Longe, longe, longe...
Cada vez mais distante de um mundo mecânico
E perto da luz,
Energia.
Um minuto de paz e amor,
É pra lá que eu vou...
Sem pano,
Sem papel.
Celebrar a vida, a que deveria ser vivida...
Sem medo,
Sem ressentimento.
Sentindo apenas o universo paralelo das pessoas
Que assim como eu, caminham lentamente observando o espaço,
Sem dar nomes aos fatos;
Apenas sentindo o suor pulando os poros
Numa química de grandes abraços.



Marina Oliveira

Eu, Segundo o Dicionário.


Ausência de guerra, de dissensões.
Boa harmonia.
Paixão ou grande entusiasmo por algo,
Tempo próprio para amar.
Sem tom nem som: a torto e a direito...
Que se faz por magia.
Maravilhoso, encantador.
Candeeiro, lâmpada, vela ou outra coisa acesa.
O que ilumina o espírito.
Massa líquida que circunda os continentes,
Imensidade.
Energia.
E mais outros significados que nenhum dicionário consegue explicar.
Inexplicável.


Marina Oliveira

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Gerúndio da Vida


O sol já vai chegando,

Brilhando para o despertar de seus filhos...

Em pouco tempo já se pode perceber:

O canto dos pássaros,

O orvalho das árvores,

A sutileza da brisa...

O mundo acorda sob os raios do rei,

E vai chegando a prima vera,

E a flor que desabrocha trás cor pra nova aurora,

E o mundo vai sorrindo,

O círculo fluindo,

Esse rio que nunca para...

Os animais que vão surgindo,

Indo,

Vindo,

Caminhando no gerúndio

Desse belo submundo,

Além mundo!

Mas a lua vem chegando

Com sua luz de puro encanto

E vai pondo sobre a mesma

Pouco a pouco as estrelas

E o mundo vai dormindo

Para quando o rei chegar

Recomeçar a trabalhar,

Recomeçar a encantar,

Nossos olhos tão finitos...
-Eu consigo senti-la!




Marina Oliveira

terça-feira, 7 de julho de 2009

Amor...


Enquanto o amor for restrito e individualista ele será limitado, é por isso que eu amo a existência como um todo: o mundo, as pessoas, os animais, a paz, a natureza, as grandes e pequenas coisas, a liberdade, a VIDA...Possuir um único tipo de amor é para as pequenas pessoas, o amor é ILIMITADO, quando se ama, se ama tudo e todos!

-O Bom é ser infinito.



Marina Oliveira

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vou ser Poeta.


É mamãe, vou ser poeta!
Daqueles antigos que aprendemos na escola,
Que viviam pra escrever,
E escreviam pra viver.
Dos livros antigos empoeirados do velho baú.
Mamãe vou ser poeta e não adianta insistir!
Não vou ser doutor de branco nem de preto,
Serei aquele das praças, das belas meninas, dos porres malditos
E da gravada mal arrumada sobre um paletó cor de caqui.
Vou ser poeta e você há de ver que do seu pranto farei
Um rio de flores...
-Meu filho, você vai morrer de fome.
-Não mamãe, vou morrer de alegria!


Marina Oliveira

Meu Risco.


Já andei pela beira do mais baixo penhasco,
Hoje caminho na borda do mais alto precipício,
Minha queda tem que ser demasiado espetáculo;
A vida é uma festa!



Marina Oliveira

Chuva.


Chove, chove, chove...
-Para céu, o mar vai transbordar!

Marina Oliveira

O Muro.


Que bela vista esse tempo proporcionou.
A queda d’água por fundo,
As árvores balançando ao sopro do vento...
Mas o que fazer se meu olho só alcança o muro?!
Um muro de cor duvidosa,
Que separa os círculos,
Limita os sons e movimentos.
O que sinto é o muro que desconstrói o sonho;
Limitado, exato,
Exacerbado no centro do que seria a prática de paz e amor.
É tudo um luxo descartável, provável industrial.
O muro passa pela existência e bloqueia o homem,
Fazendo do mundo um paraíso sintético.
-O que mata a sede é coca-cola com chá verde.


Marina Oliveira

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A Boca


Eu pinto a boca de vermelho e fico em casa,
Escuto Raul desconstruir mitos que sustentaram o feudalismo.
Rua:
Os computadores da outra sala são retirados,
Agora a conversa é com a carne.
Presente, futuro, ocupação e capital.
Retorno sobre a chuva,
Já não há boca vermelha,
O tempo descoloriu os lábios
E a água borrou os olhos...
O som de outrem quebrou
E no meu toca fitas restou toda arte que ainda será inventada.
Eu tiro a tinta vermelha da cara.
-A boca grita.


Marina Oliveira

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Banho de Mar.


Caia no mar de roupa e tudo,
E sinta que nada além da alma existe,
O mundo é apenas uma suposição
Quando o espaço é material.

Caia no mar durante a madrugada
E observe cada segundo de imersão,
O canto que mora n’água tem a capacidade
De transcender o ego...

Caia no mar quando sentir saudade,
E descubra que tudo o que pensa ser,
É na verdade, um bocado de sal
Nos lábios do mundo.

-Eu sou água, sal e vida.


Marina Oliveira

domingo, 17 de maio de 2009

O Avesso do Inverso


Eu quero o avesso de tudo,
Da carne,
Da fala,
De toda a matéria globalizada,
Eu quero o avesso!
O inverso do inverso.
Desejo ver por dentro do que está fora;
De um outro lado, um novo ângulo, um novo jeito...
Eu quero o inverso do que for correto ou incorreto,
Um meio termo.
Um termo por completo,
Eu quero o incompleto!
Criticar a perfeição,
Admirar tudo que estiver com as pernas pro ar!
Um armário sem roupa,
Roupa sem corpo,
E corpo sem armário.
Eu quero apenas me contradizer e afirmar que o que foi dito
É o contrário de tudo que pretendia falar.
Eu quero o avesso do inverso.


Marina Oliveira

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desconstrução


Mal
Maldito
Mal dito
Dito
Ditoso
Só.




Marina Oliveira.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Papel de flor.


Estou no perfume das flores
E sinto a pluralidade das espécies.
Elas vão florir nos espinhos de papel
Estou no mundo rouco, louco, oco…
A música transcende meu corpo para onde habita o tempo.
Eu vou deitar no mar de flores e virar energia da terra
E vou nascer, renascer e mergulhar no ar.


Marina Oliveira


Aguardente.


Vou virar a garrafa de aguardente
Pra descer no bucho fervente
E matar o gole de prosecco que engoli
quando desci do meu mundo...


Marina Oliveira

Confusão no céu.


Olho o céu
Do arranha-céu, que foi
Construido em cima da flor.
Olho o mundo sem a cor
Do céu…

O azul está arranhado
Querendo um lugar pra morar;
Ele vem no carrossel vagarosamente,
Olhando o ambiente
Para reconstituir.


Marina Oliveira

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Arte.


Eu vou beber arte no café da manhã.
Comê-la no almoço.
Saborear seu infinito cromático de sobremesa.
Vou jantá-la com olhos e dentes...
Mastigar as cores,
Engolir os sons,
Lamber os dedos
E jamais lavar as mãos.
Ela é realista e não se importa em agredir seu olhar pseudo-pudico.
-A arte defeca.


Marina Oliveira.

Formigas com asas


As formigas criam asas em dias chuvosos.
O céu se enche desses insetos que resistem às gigantes gotas d’água
Que tentam derrubá-los durante o vôo.
-Formigas de asas são incríveis!


Marina Oliveira

terça-feira, 14 de abril de 2009

Gravidez interrompida


Estou grávida!
Mas infelizmente meu feto tem uma doença incurável,
Terei que abortá-lo.
De qualquer forma ele não iria sobreviver a um mundo individualista,
Onde as pessoas vivem para interpretar o papel de mercadoria.
Ele não suportaria estar cercado por muralhas de concreto nem ser observado com Tamanha indiferença.
Se meu filho não estivesse doente, com certeza adoeceria com o passar dos tempos,
Vivendo numa comunidade onde o correto é possuir e o belo é se igualar à pessoas que Morrem na Etiópia.
Estou grávida da flora, que apesar de insolente, não conseguirá brotar e se desenvolver Sem a cruel interferência do nosso sistema.
Os jovens estão cada vez mais carentes de humanidade;
Desaprenderam a maneira natural de ser.
Neste momento, ao meu redor, fantoches sorriem quando não querem.
O mundo perdeu a graça da risada espontânea.
Falta cor, nesta terra falta arte, que é o grito suave nos ouvidos do poder.
Estou grávida de vida e não posso ter.


Marina Oliveira

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Jardim do Édem


O jardim do meu vizinho tem uma beleza incomum. São orquídeas, girassóis, helicônias, hibíscuos; as palmeiras alcançam o céu, o brilho da aurora desperta o perfume do Édem.
É uma riqueza de espécies aquele jardim, são pássaros e borboletas numa incrível sintonia…
O jardim do meu vizinho ofusca minhas solitárias flores, porém, minha morada é bem mais amada que a dele.
Se todos pudessem enxergar além de um jardim, inveja não sentiriam, pois, quem expõe felicidade em demasia, muito sofre dentro do paraíso, onde um inofensivo fruto é proibido.
-Felizes são os que saboreiam todas as frutas e vivem em eterna liberdade.


Marina Oliveira

sexta-feira, 13 de março de 2009

Meu querer.


Eu queria andar descalço, sentir o asfalto arder em meus pés,
Queria morar na casa da árvore, estudar história e soltar fumaça em patrimônio público.
Queria viver no mar, dormir na lua e acordar no sol; andar nas estrelas e juntar-me ao mundo com nada no bolso.
Acrescentar-me experiências de êxtase em culturas diversas.
Escalar montanhas e decifrar os códigos da trilha viva, do verde.
Eu queria fazer teatro, representar na areia as personagens que pude conhecer no decorrer da grande caminhada.
Descobrir a pluralidade dos elementos que me formam; dançar no ar, parar no tempo, beber da água, deitar na terra e descansar; despertar com o canto das tribos e o perfume da flora.
Queria nadar em quedas d’água, saborear frutas exóticas, me embriagar de momentos simples, ouvir o barulho da chuva, sentir o aroma do chão, correr os desertos e flutuar no mar morto...
Comer nuvens de algodão doce, viver no Olímpo, tocar harpa, ser uma bruxa vestida de fada, voar pelo céu durante a aurora e ser alquimista da minha realidade.
Queria viver como os nômades, desenhar nas cavernas, descobrir o fogo e me dividir em várias épocas.
Eu queria tanta coisa que acabei esquecendo de calçar os sapatos.



Marina Oliveira

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Caneca com canetas


Um olhar vazio me observa com um ar de quem pede, quase implora por algo.
Um objeto real e totalmente persistente insiste para que seja notado.
Esta caneca presente ao meu lado possui um jeito insolente e grita por atenção. Ela me conquistou. Por sua sabedoria me encantei, esta simples caneca cor de noite possui histórias inacreditáveis...
Um pouco antes de completar 10 anos ela foi promovida, abandonou a vida de café com leite e passou a bisbilhotar as pontas das canetas que nela se abrigavam; esta caneca conhecia os números, as palavras, os poetas que transformam as palavras e principalmente, o poder que elas possuem...
As palavras são a principal fonte de vida e de morte também. Com elas um ser humano é capaz de transformar qualquer caminho.
As canetas possuidoras de uma elegância incomum tentavam ao máximo não deixar transparecer qualquer tipo de borrão, mas isso era impossível, pois as frases transbordavam por sua tinta; a caneca, muito esperta, logo se beneficiou com as informações que chegavam, completas ou incompletas; isso pouco importava, ela conseguia desmistificar, detalhar cada letra e formar uma sentença.
Não me apaixonei pela caneca propriamente dita, nem pelas canetas ou palavras que escapavam a todo instante, me apaixonei pela arte de saber que uma caneca com canetas me leva a um horizonte inexato, que é justamente onde quero chegar.



Marina Oliveira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Saravá!


Uma outra parte do mar
se cansa da imensidão e procura por terra,
terra amada que apara as lágrimas salgadas
que se derramam do ventre de Yemanjá.
Enquanto Zeus adoça o Olímpo
com um cálice de vinho, todas as culturas
se reúnem como o oceano e a uva num tempo
onde sereias eram pássaros.
Olhai bem o mar de Olokum,
que quando Zeus mandar a chuva
Oxumaré irá encaminhar como oferenda as sete cores
Refletidas no oceano...
Saravá!



Marina Oliveira

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Menininha da janela


Lá vem ela, olhar a primavera na sacada da janela.
E olha a flor num jeitinho dissimulado,
Um olhar bem disfarçado de quem tem um novo amor.

Lá vem ela da janela, uma flor de primavera,
Com um jeitinho disfarçado,
Um olhar dissimulado avistando o beija-flor.

Lá vem ela sorridente, desflorar a primavera
Numa saia de cetim...
E vem também um beija-flor dissimulado,
Com um olhar avantajado, roubar a bela flor do meu jardim.


Marina Oliveira

O fim do infinito


O meu infinito tem fim,
Ele alcança o limite da minha concepção de vida.
Sou o infinito condensado;
Sem razão, sem solução, mas com um término decretado.
A maior prova de que o ser humano não é ilimitado é a fórmula da vida,
Nascemos, crescemos e morremos seguindo um único caminho,
o qual aprendemos desde o início.
O infinito tem fim;
Ele termina no ápice do egocentrismo...


Marina Oliveira