terça-feira, 14 de abril de 2009

Gravidez interrompida


Estou grávida!
Mas infelizmente meu feto tem uma doença incurável,
Terei que abortá-lo.
De qualquer forma ele não iria sobreviver a um mundo individualista,
Onde as pessoas vivem para interpretar o papel de mercadoria.
Ele não suportaria estar cercado por muralhas de concreto nem ser observado com Tamanha indiferença.
Se meu filho não estivesse doente, com certeza adoeceria com o passar dos tempos,
Vivendo numa comunidade onde o correto é possuir e o belo é se igualar à pessoas que Morrem na Etiópia.
Estou grávida da flora, que apesar de insolente, não conseguirá brotar e se desenvolver Sem a cruel interferência do nosso sistema.
Os jovens estão cada vez mais carentes de humanidade;
Desaprenderam a maneira natural de ser.
Neste momento, ao meu redor, fantoches sorriem quando não querem.
O mundo perdeu a graça da risada espontânea.
Falta cor, nesta terra falta arte, que é o grito suave nos ouvidos do poder.
Estou grávida de vida e não posso ter.


Marina Oliveira

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