terça-feira, 6 de novembro de 2012

embriaguez hedonista.


Tem coisa melhor do que a mentira desvairada?!
Aquela que sai de mansinho da boca de outrem,
brota dos lábios doces e enganosos
chegando ao pé do ouvido sempre quente,
esvaindo a peculiar umidade dum hálito quase doce.

Ao fundo sente-se o gosto da embriaguez,
uma mistura endiabrada de cachaça e mel.
E mente de tal forma que por vezes me faço
crente dos desatinos e ponho na cara um sorriso
torpe e avermelhado, um olhar dissimulado.
Só pra me fazer de boba.

E minto também. Sempre.
Pra mim principalmente.
Como minha carne num banquete antropofágico,
bebo sangue em taças de vinho e limpo a boca
com guardanapos embebidos num sumo de suor.
Só pra dar risada.

Tem coisa melhor do que a mentira desvairada?!
Que vem sempre acompanhada com uma dose de desejo,
um beijo, um corpo, um copo e nuvens de fumaça.
E arrepia a pele, iludindo os olhos do mentiroso apaixonado.
Que vai embora confiando numa conquista adulterada.

E eu fecho a porta.
Escuto o barulho do gozo.
Dou meia volta
e me deleito num copinho de dor hedonista
que só os mentirosos conhecem.

Então derramo duas lágrimas e invento outra história.
Pra sentir tudo novamente:
Hálito.
Lábios.
Carne.
Suor.
Mentira e cachaça.
(...)




Marina de Oliveira

Nenhum comentário: