Enlouqueceu a pobre coitada,
De tanto se deixar influenciar
Pintou a face e os cabelos com cores
Que não combinam com sua verdade.
Trocou as vestes, a menina.
Se cobre agora com farrapos que distorcem
Ainda mais sua real vaidade.
A menina enlouqueceu,
Emaranhou os cabelos para, subconscientemente,
Despertar mais atenção diante os olhos mortos
De seu primeiro amor.
E era tão bonita...
Passou a dopar-se.
Acostar-se com qualquer ser inferior a ela,
Talvez assim se sentisse um tanto superior.
E vendeu a carne para os alienados.
Perdeu-se com mais um cigarro de maconha,
Fácil de tragar, fácil de olvidar o quão cruel
Foi com si mesma.
Inda por cima despeja as filosofias baratas
Nos pobres idiotas que a cercam.
- Tem de sentir os cosmos, grita ela.
Que mal sabe a real função da água.
No ápice do desespero ama qualquer
Amiga, qualquer contato.
Talvez seja apenas bondade.
Mas o tempo há de passar e tirar essa tinta da cara.
Para que ela brilhe alva como antigamente.
E eu estarei por perto para ver o primeiro sorriso
Da minha saudosa irmã.
Ela ficou louca.
A culpa foi minha.
Marina de Oliveira

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