sábado, 15 de novembro de 2008

Eu por mim mesma.


Odeio analogias,
Não sou mais um que fala, eu sou quem fala!
Eu componho todas as minhas peças, meus diálogos foram feitos por mim, por isso acredito que a primeira pessoa do singular é indispensável, intransferível.
Eu consciente, eu diferente, eu o que quiser...
No meu anfiteatro eu que mando, eu que represento, os tolos obedecem; como poderia me esquecer dos tolos, esses são os figurantes, não sabem o que fazer, seguem somente as regras de um confuso espetáculo teatral, conheço muitos.
Ninguém é melhor ou pior do que eu, a diferença é que alguns não sabem aproveitar e compreender o “ser”, contentam-se com a superficialidade do “ter”.
Eu sou isso e não aquilo.


Marina Oliveira

Vou dar um tempo...


Vou dar um tempo no meu dia,
Na minha agonia.
Vou dar um tempo verde,
Entrar num relógio de alquimia...
Olhar cada cor
Roubar do mundo os desejos do vento.
Que tempo bom esse que tenho,
Na beira da praia, no infinito do sonho...
Nesse universo paralelo tem gente grande
Tem eu e o tempo,
Tem eu e o vento
Eu e o que mais imaginar naquele momento
Eu compro o tempo, me enrolo com ele.
Eu, o tempo e Daniela.
Histórias pra contar
No andar circular da primavera...
Na praça redonda,
Nosso tempo é bom e único, quer dizer, eterno!


Marina Oliveira

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Poeminha de amor.


Olhares,
Sorrisos,
Cada abraço me faz crescer…
Seu cheiro instigante;
Seu andar debochado,
E novamente um abraço apertado
Que me deixa sem graça.
Que me prende ao mais doce devaneio
De um dia poder...
Menininha má,
Faz de mim o que quer;
E em reticências tudo acaba como uma
Amizade qualquer...


Marina Oliveira

Marina, na lata.


É menina,
É mulher,
É Marina mulher,
É um oceano qualquer,
É menina alegria que sabe o que quer.
É Nina mulher,
A menina alegria que é um oceano no sonho que quer,
E qualquer menina não sabe quem é.
A Nina que quer,
A menina mulher,
A Marina que é,
Alegria qualquer...
Na lata
No sonho de saber somente quem é.


Marina Oliveira

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Roda-gigante


Em um lugar muito distante,
numa galáxia perdida,
num planeta chamado utopia;
Habita o mais belo estado de espírito onde
o nirvana é alcançado com facilidade...
Por isso meu mundo gira, roda, gira, roda, gira.

As borboletas desta terra nunca morrem.
O verde é mais nítido.
Psiquismo roda.
Pessoas voam enquanto o mundo anda em círculo.
Por isso meu mundo gira, roda, gira, roda, gira.

Perfeito equilíbrio com brio.
Meu sol não chora,
o céu é um espelho.
Os malabaristas nunca dormem;
Alegre de viver, de viver...
Por isso meu mundo gira, roda, gira, roda, gira, RODA-GIGANTE!


Marina Oliveira

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

É proibido ficar triste.


Vamos!
Olhe para frente e sorria sempre!
Não importa os meios;
Apenas sorria...
É isso que a sociedade nos propõe:
Impõe que nossos jovens andem na moda, mesmo que esta desfigure sua identidade real, seu caráter;
Se drogue, use e abuse de métodos descartáveis para sustentar a
Pseudo fantasia; assim o capital e as opiniões estarão sempre sob controle.
Ligue a tv, assista todos os programas e se configure no canal que mais lhe satisfaz; Seja programado.
Feche os olhos, assim não cansará sua beleza com todos os crimes impunes.
Seja otimista, e sempre acredite que as crianças que passam fome irão ter uma melhora de vida, elas provavelmente lhe agradecerão por sua boa performance com as palavras, mas já suas ações...
Lave as mãos, afinal, a culpa de todos os problemas é do governo.
Arranque mais uma árvore, seja cético, a fartura nunca acabará.
Seja egocêntrico, esbanje riqueza e não olhe para o lado, é perda de tempo...
Sorria sempre!
Trabalhe sorrindo,
Estude sorrindo,
Caminhe sorrindo,
E até mesmo, chore sorrindo.
Abuse de todas as formas sintéticas para ser feliz.
Neste mundo,
Neste sistema,
É PROIBIDO ficar triste!


Marina Oliveira

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Reticências




Eu:
Não!
Sei;
O que?
Dizer,
Um ponto termina tudo.
-Por isso prefiro as reticências...




Marina Oliveira

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O sol.


O sol nasceu!
Cresceu.
Iluminou.
Queimou.
Ardeu.
Guiou.
Mas ele sempre se põe...
Ficou apenas seu reflexo na lua;
Passou,
Acabou!
Amanhã nasce outro sol...

Um outro lado...


Cheira a enxofre.
Exu,
Quente,
Lúcifer,
Vermelho,
Anjo mal,
Tentador,
Tenho um diabo no meu ombro esquerdo.
Ele até que dá umas dicas, mas quase nunca sigo...
Sou pior que ele.


Marina Oliveira.

Fogo.


Simplesmente, amei-a ao primeiro instante.
Dona de uma beleza incomum e pouco
Observada.
Para os que não a conhecem, antipática.
Mas como é perfeita...
Esse meu mais novo amor não tem fim.
Demasiadamente sincero.
Misteriosa e instigante.
Apenas eu.
Eu e ela.
Minha mais nova paixão queima,
Devaneio meu...
Tudo que quero é sentar-me frente a ela e ali ficar,
Enfeitiçada, numa espécie de transe;
Eu e a pura chama.
Uma bruxa,
Uma fada,
Uma mulher vestida de fogo.
Me aquece e entorpece...
Ilumina a mais bela noite;
Minha alquimista.
Brasa.
Uma fogueira no anfiteatro dos meus olhos.


Marina Oliveira

Só resta-me escrever.




Só resta-me escrever.
Minha inspiração partiu, repartiu.
Sobrou para mim os momentos sonhados,
As lembranças mais doces...
A força que guia esta tinta tomou um novo rumo e
Me deixou apenas,
Apenas amor, inacabado,
Apenas saudade demasiada.
Estala no peito a todo instante a idéia
De não conseguir dar um passo a mais,
Um beijo a mais,
Um abraço deixado para depois...
Um dia sem sol,
Um dia sem canto,
Meu coração explodiu num vazio sem fim.
Estou para ter,
Está para nascer a lua...
Mas quem poderá iluminar meu céu, se as estrelas
Que tinham eu fiz de papel;
Do mais saboroso lábio,
No mais delicado orvalho.
A distância antes próxima,
Agora caminha a centenas...
Incontáveis dias, o amor espera,
Supera.
Só resta-me escrever, já que a vida é curta
E o tempo longo.
Resta-me apenas escrever sobre a utópica tarde do nosso
Filme sem fim.


Marina Oliveira

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Árvore e Mar.


De todas você é a mais bonita
Filha da Natureza, com raízes fortes...
Você é a mais bonita de toda a praça,
ai se eu fosse perfeita como você,
me casaria e ficaria por toda a eternidade ao seu lado!
Árvore.

Você com toda imensidão azul me torta pequena...
uma árvore em meio ao Mar,
pura quimera minha...
Mas como amo!
Como sinto amor por toda sua beleza de Mar!
Mar.

Eu sou seu outro eu!
Sou sua irmã,
seu amor,
somos natureza!
Árvore e Mar.



Marina Oliveira

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Alegria.


A felicidade alimente a alma;
Pena que não é constante, ela
Oscila de acordo com os parâmetros
Do sistema.
É justamente por isso que não sou feliz.
Escolhi ser incondicionalmente alegre.
Isso ocorre freqüentemente...
Quando estou com quem amo, e
Se não estou, fecho os olhos e vôo até ela.
O beijo desperta a alegria que por um instante
Ousou se esconder nas entrelinhas.
Eu mando na minha alegria, ela apenas obedece.
A felicidade é suposição!
Você provavelmente será feliz;
Provavelmente.
Eu sou alegre constante, não dependo de
Palpites para avaliar o grau dos meus sentimentos...
Contos de Fada não existem,
São produzidos.


Marina Oliveira.

O paraíso é logo ali.




Um maço de cigarro,
O meu amor ao lado,
Garrafa na mão,
Dinheiro no bolso
E liberdade de escolha.
O paraíso é logo ali, mas
Demora a chegar.
Aos poucos me afasto dos que me
Amam exageradamente.
São sufocantes.
Pé descalço,
Roupa que gosto,
Lua em cima,
Areia em baixo,
O que eu quiser, no momento exato.
O paraíso é logo ali;
Tem vista para o mundo,
Oxigênio de sobra.
Longe de casa e perto
Da vida...
Sensação inexplicável de não sentir saudade;
é perda de tempo!
Meu paraíso é egoísta, mas é meu.
E de quem eu quiser.


Marina Oliveira

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Intensidade das cores.


O grafite acinzentado rabisca a folha branca,
Mais branca que a neve no topo da montanha
Mais que o branco puríssimo.
Luz fluorescente de prisma único, que observa o verde
Da grama, mais verde que toda natureza.
As cores são mais cores
E o brilho dos olhos reluz mais que espelho.
A loucura é cor,
É brilho,
É fogo,
É utopia intensa colorida em meus olhos.


Marina Oliveira.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sintonia.


Para voar é necessário um pouco mais de sintonia,
Com o céu, com a flora, com o vento...
Enfim,
É preciso que a borboleta ajuste suas diversas cores
Com o universo, que mantenha um mesmo circuito
De freqüência com um cosmo, não importa o qual,
Contanto que esteja sintonizado a um singelo prazer
De liberdade;
Num espaço surrealista e cromático.
Deixando então,
De ser inseto para borboletear,
Colorir como tinta guache,
E respingar quimera nos pequenos mortais
Com grande sintonia.


Marina Oliveira

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Como é belo o mar.


Hoje é dia de sentar-se frente ao mar.
Ah, como é bonito o mar...
O jeito como ele fala é de pura poesia e samba.
E canta, a cada onda encanta;
As meninas que se misturam às águas...
Aí pronto, a beleza mais nobre se confunde.
E quem observa ao longe, não sabe o que é mar ou o que é desejo.
Admira apenas a beleza, toda beleza de um infinito com corpo de água,
Pernas, seios, cor, brilho, cheiro e pecado.
O doce e o salgado enfim se encontraram no centro de meu olhar apreensivo.
E na imensidão azul de ondas e sambas, flutua o
Corpo nu.
Sensível, ingênuo, tímido, porém,
Instigante.
Como é lindo esse mar.
Tarde de samba, areia branca, ondas a ir e vir
No embalo da poética e calorosa tarde.
Como é bom viver no mar, do mar, morrer no mar...


Marina Oliveira

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Estações

Estou com frio
Mas o inverno ainda não chegou
Senti calor no outono.
Na primavera a chuva floriu.
No verão o tempo sorrio.
O mar se fez grande de flores...
Amanhã é incerto,
O hoje sincero.
O passado é presente em mim...


Marina Oliveira

sábado, 31 de maio de 2008

O ser humano é fantástico.


As pessoas deviam ter vergonha de si próprias, vergonha de guardar tanto preconceito e rancor num lugar onde só deveria existir amor e compreensão.
O ser humano é fantástico; vivem numa busca diária de respostas para seus defeitos, apontando e condenando as diferenças alheias. Isso talvez seja uma forma de amenizar o sentimento de fracasso causado pela imperfeição, ou uma maneira mais cômoda de esconder a realidade e de sentirem-se menos incompletos; uma forma medíocre de elevar a auto-estima, que por sua vez é inconscientemente afetada por modismos e padrões de comportamento da sociedade.
Não me engano quando digo que o ser humano é fantástico, eles correm contra o tempo vivendo uma vida utópica, semeando uma empáfia desnecessária... No decorrer dessa viagem engolem a caixa de Pandora por inteiro, camuflam-se em capas norte-americanizadas, se olham num espelho almejando uma beleza narcisista, contudo, esquecem que a imagem é apenas uma das milhões de células que compõem o homem.
Observar com cautela e precisão para dentro talvez seja uma solução. Devemos nos conhecer, perceber que nada é perfeito, que a felicidade se encontra dentro de cada um e que o doce para mim, pode ser o mais amargo dos sabores para o outro... Afinal, o que seria do rosa se todos gostassem do azul?!


[Marina Oliveira]

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ego.


O que quiser.
Sou eu na hora que quero,
Quando quero,
Se for preciso, sou eu.
Só eu me amo como necessito,
Por isso sou o que quero,
O de mais urgente me transforma.
Eu, só para mim sou eu.
Para os outros sou constituída de metáforas
Demasiadas...
O meu riso é só meu,
Rio para dentro.
Isso me basta;
Eu.


Marina Oliveira

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Reflexo.


Um dia você olha para trás e observa com calma e agonia todos os momentos de sua vida,
As risadas, as lágrimas, tudo retorna num momento nostálgico em que você se senta e olha as antigas fotografias, os antigos planos que passam como um filme em sua cabeça, os velhos amigos que ficam congelados para sempre, alguns somente nos papéis...
Você se pergunta se no decorrer de tudo, suas ações foram realmente corretas; se amou pouco, se preocupou demais, se andou com pessoas verdadeiramente confiáveis e assim por diante.
Aí você enxerga, que a vida segue adiante e o tempo engole com voracidade cada pedaço do seu ser, sem pena alguma; alguns choram, alguns fingem estar tudo bem, outros pensam em desistir, cada um com sua característica reação.
Os amigos eternos se separam, cada um toma um novo rumo, e você tem a dura sensação de ter caído no esquecimento, de não ser tão importante como achava ser.
E o mundo continua a girar, e quando menos se espera você cresceu dolorosamente, aprendendo a alquimia da vida... É justamente isso que quero, transformar metais em ouro. Reciclar o passado, para viver num presente mais maduro possível, bebendo a última gota d’água, aprendendo que as pessoas possuem uma espécie de “embalagem” e vai de sua inteligência saber desvendá-las... O futuro é apenas conseqüência, um reflexo das entrelinhas percorridas na vida.


Marina Oliveira

sábado, 26 de abril de 2008

Um sonho.


Após um repentino golpe,
Entra em devaneio...
Utópico.
Irreal.
Lúdico.
Surrealista.
Fantasioso.
Dorme,
Dorme...
Sente o sol.
Inspira.
Relaxa.
Sonha.
-Agora acorda, já está cinza.


Marina Oliveira

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Desabafo.


Eu choro.
Talvez porque tenha coragem demais,
Já que aqui não posso me movimentar muito.
Eu choro.
Talvez porque seja covarde demais,
E não fale muito, para dizer a verdade
Eu nunca falo.
Eu choro.
Eu escrevo.
Ou um ou outro,
Até mesmo os dois, quando me permitem.
Eu amo, eu amo tanto.
Talvez por isso eu chore e escreva.
Mas choro mesmo, pois não me permitem amar explicitamente.
Mas na insolência do meu Ego, eu continuo a amar por dentro
E a chorar por fora...
Por isso eu vivo, ou melhor,
Sobrevivo.
Não há dor mais profunda do que o silêncio,
A opressão.
E eu grito interiormente, de amor.
E eu grito exteriormente, nas palavras.
- Já que minha voz pouco se ouve.


Marina Oliveira

Creio que não.


Alguém aí sabe dizer quem sou eu?
Creio que não...
Nem eu mesmo tenho certeza, para falar a verdade, eu não tenho certeza de mais nada.
Hoje no ápice de minhas dúvidas, perguntei-me se era louca, mas aí eu pensei e repensei, chegando a mesma conclusão de sempre: “Louco mesmo é quem manda tudo para a puta-que-pariu!” E isso eu não fiz, ainda não...
Quando cheguei a este mundo, logo se encarregaram de me rotular, Marina (nome de mulheres muito dadas ao sonho e fantasia), para falar a verdade, esse é o único rótulo que é útil e agradável em minha vida.
Logo nos meus primeiros segundos de vida fora do útero de minha mãe, enfiaram-me goela abaixo, sem ao menos pedirem minha permissão, uma pílula; cujo efeito se mostra gradativamente, porém, com uma velocidade impressionante, se é que alguém me entende...
E em poucos instantes, sob efeito do tal TEMPO, entendi que teria que me moldar de qualquer jeito à vida dos homens.
Ah!
Estes são tão engraçados, sempre me pego distraída rindo da cara deles. Os homens se acham donos da verdade; andam por aí inventando valores, conceitos, modismos... E nunca sequer se questionaram sobre a precisão de suas “incríveis invenções”.
Realmente, este belo quadro só não é mais cômico, pois, os efeitos desta grande bagunça sempre caem sobre a minha pobre cabeça pensante, o que não é nada agradável.
Agora, neste exato momento me pergunto se estou no lugar certo. Olho para um lado, para o outro e vejo milhares de Nada; é um Nada simplesmente perfeito, produzido com a alta tecnologia do sistema. Entretanto, este Nada não passa de capa, de um produto descartável e completamente oco. Pensando bem, não teria lhe dado nome melhor do que Nada.
Eu não me considero um “super-homem”, como falava o bom e velho Zaratustra, me contento, por enquanto, com um Nada composto, um “Nada-alguma-coisa”.
Se realmente ganhamos o “livre-arbítrio” do nosso Papai-do-céu ( é aquele mesmo que mora em uma grande nuvem na imensidão azul, com seus animaizinhos e anjinhos da guarda) creio que, possamos amar e viver com quem quisermos, não é mesmo?!
Mas daí vem todo aquele discurso de liberdade, responsabilidade, e eu não estou com muito saco para falar disso agora.
Sempre tenho a impressão de que vivemos numa grande fábrica, onde, sempre que erramos, o diretor da mesma, vem com suas reclamações sobre os produtos; da um palpite ali, um concerto aqui, aperta um parafuso mais adiante... Isso, com toda a sinceridade existente no meu Ego, digo-lhe: é insuportável.
Acho que vou acabar dando uma de Manuel Bandeira e: “Vou-me embora pra Pasárgada”
O desejo lúdico dele parece mais agradável do que esta merreca de pseudo-felicidade que esta fábrica aplica em seus produtos.
Aqui é tudo tão igual...
Quando não é liso, é esticado, quando não é naturalmente loiro, se pinta os fios.
Creio que essas bonequinhas de luxo não se olhem mais no espelho, e é justamente quando percebem que passaram da validade, aí todas mudam, do corte reto, para a super franja, e assim a roda-viva da futilidade segue adiante...
Com o perdão da palavra, retiro-me agora, para tomar a “Coca-Cola das 17:00” ou posso ser mandada mais uma vez, para o concerto (entenderam a metáfora?).
É, creio que não...


Marina Oliveira

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Eu sou...


Sou uma obra surreal,
Um acróstico,
Uma poesia doce com palavras fortes
No hoje, sou barroca
No amanhã, romântica
Mas certeza mesmo, só do agora...
Agora sou uma explosão.
Um peixe no aquário, de espírito livre,
Sou a gota d’água,
Sou de cor púrpura,
Sou amor,
Sou ódio,
Sou humana.
Vivo o hoje,
Guardo o ontem,
Desejo o amanhã...
Quero beber o mundo num único gole!
Agora, sinto saudade
Agora, sinto fome
Agora, amo.
Sou mar...
Posso ser tanta coisa, que nem mesmo tenho certeza
Apenas sou
Um arco-íris, eu sou.


Marina Oliveira

quarta-feira, 9 de abril de 2008

:o)


O bom da vida é ser palhaça,
das graças e farsas felizes...
Contra o tempo e contra o vento,
assim, de graça; sem cobrar dos
outros a arte da risada engraçada.
Simplesmente palhaça...


Marina Oliveira

terça-feira, 25 de março de 2008

Uma cadeira.


No canto do quarto uma cadeira.
No canto do quadro,
no quarto do pintor holandês.
Uma singela cadeira.
Uma cadeira no vácuo.
Dona de uma força que sustenta.
Uma cadeira macia,
cheia de histórias...
Fica ali, no canto, quase imperceptível.
Assistindo aos surtos mais cheios de arte,
de quem morre pela loucura, ou melhor,
pela mais insaciável
e indescritível paixão às cores.
Uma cadeira dona de tantos sentimentos, que ninguém sente.
Uma simples cadeira no cenário bucólico de Arles.
Impressionista.
Inconveniente.
Assim o gênio das telas se perdia em meio aos girassóis, as cadeiras...
Sangue.
Escorre pela face do artista o sangue,
eis um pedaço de carne que sangra, orelha que eclode de arte.
Loucura?
Não! Apenas sentimentos...
Apenas revolta.
Fantasmas de um antigo pastor inconformado com Deus.
Estava bem com suas idéias, mas seu coração dilacerava,
rasgava seu peito em mil pedaços,
em mil cores.
Ele não se matou, foi assassinado pela incompreensão alheia.
E num estalo de fogo seu peito explode...
Uma cadeira, uma cadeira no quarto,
no quadro,
na alma do artista,
apenas uma cadeira.

-À Vincent Van Gogh.


Marina Oliveira

quarta-feira, 19 de março de 2008

Anna, tenho que te falar dos girrasóis...


Anna tenho que te falar dos girassóis.
Que pararam de girar,
Eles rodavam,
Rodavam, e de tão cansados,
Desprenderam suas pétalas.
Giravam a roda viva que é a vida,
A vida que roda e gira os girassóis.

Anna tenho que te escrever sobre as borboletas
Que saem de seus casulos,
Que criam a vida e levam
Outras cores ao mar amarelo-ouro.
E voam,
Voam, sabre os girassóis que giram.

Anna tenho que te contar das nuvens
Que como flocos de algodão adoçam o céu,
E flutuam sobre os girassóis que giram.
Sobre as borboletas que voam.
Sobre o mar que cintila.
Sobre o homem que mata.



Marina Oliveira

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vertical.


Meu amor,
Inconscientemente, te amo.
Nem o brilho dos mais belos astros
Haverão de transluzir todo este
Amor.
Pequeno e grandioso...
Espero,
Quero,
Unicamente a você.
Em seus lábios.
No seu corpo.
Amor e imprecisão
Lutam por um
Único desejo, insaciável.
Incontrolável.
Zelo pelo mais puro dos meus sentimentos, o
Amor a ti.


Marina Oliveira

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Evolução?!


Após o início da vida no planeta terra, todos os seres existentes evoluíram, desde as plantas, até os animais racionais e irracionais, desenvolvendo assim aspectos físicos e psicológicos.
O homem não cresceria como ser humano sem suas atividades e interações com todos os meios possíveis, ou seja, ele não teria evoluído sem se relacionar, sem reproduzir a própria espécie. Porém, durante séculos crescemos de uma maneira inadequada, sem dar o merecido valor a este mundo que nos cerca, que é nosso e que temos a obrigação de por ele zelar. Observamos este reflexo hoje, na destruição da cultura, dos valores e do meio ambiente em geral.
Por outro lado, tivemos avanços na ciência, na área de saúde, na tecnologia, temos a facilidade para fazer de tudo. Entretanto esta situação de produção de bens, concentração de renda, privatização dos meios de produção leva-nos a um modelo de sociedade egoísta, que destrói, desumaniza, aliena e coloca em risco sua própria existência.
Tudo isso nos leva a pensar sobre o rumo da nossa vida e o tipo de “evolução” pela qual estamos passando. A questão é: devemos deixar esse modelo se tornar homogêneo? Não temos todos nós a obrigação de fazer algo para reverter esta situação?!
Enquanto esperamos sentados pela cura do planeta, estamos assistindo a sua degradação, e, por conseqüência, pondo em prática nossa involução.



Marina Oliveira

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Que me levem...


Que tirem tudo de mim!
Minha liberdade
Minhas roupas
Minha imagem
Meu sorriso
Minhas palavras
Que tirem tudo!
Deixem-me nua,
Imobilizada
Incapacitada de responder
A todos os chamados...
Que levem minha sanidade,
Que calem minha boca.
Que me lavem,
Levem-me ao impossível...
Mas o que eu sinto,
Minha essência,
Isso ninguém rouba mais de mim!



Marina Oliveira

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Cansei.




Cansei das minhas fotos
Dos fatos que retratam minha imagem
Ou melhor, destorcem.
Cansei das minhas poses,
Dos meus gestos.
Cansei da sua cara, do seu personagem oco,
Vazio.
De seu amor pela metade, da minha felicidade pela metade.
Quem ama mostra, não impõe!
Irei pedir exílio de você.
Estou tentando suportar todo esse lixo de relação.
Mas não é fácil não...
Do meu futuro sou eu a Majestade!
- Acontece que toda criança, um dia aprende a andar...



Marina Oliveira

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Uma flor


Sou feito da terra,
Da junção dos minerais
Da mais pura sintonia
Entre choro e alegria.

Sou filho do fogo
E de te seguidor
Dele levo veemência
Num calor que afugenta
Anjos e demônios.

Sou fruto da água
E bebo.
E com ela lavo a alma
Límpida, pura, potável.

Sou prole do ar.
Dele me orgulho.
E permito-me levar
Aos quatro cantos do mundo.

Sou dos quatro elementos.
Nasci da união das mais belas substâncias.
Das mais variadas explosões do amor.
Sou uma flor insolente que insiste em brotar
Num jardim proibido.
- Eu sou tudo no mar de nada.


[Marina Oliveira]

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Eu, eu mesma.


Nua e crua,
sem antecedentes.
Não é crime, é paixão
recriminada por muitos.

É doce o sabor da dor que me envolve.
Nasce em mim.
Cresce em mim.
Morre em mim!

O silêncio de um coração
Puro que de veneno transborda
E me mata!

E em pizza tudo acaba na
Madrugada inacabada
De minh’alma

E na empáfia alheia,
Ninguém semeia a felicidade
Que em mim brota,
Brotava...

Aqui dentro é só eu
Contra eu mesma.
Lá fora é utopia.

E nada mais...
Tudo acaba em um mundo faz de contas
Com sorrisos falsos,
Que me amam, porém,
Por mim nada fazem...


Marina Oliveira

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Meu Amor. *


Meu amor é uma poesia,
uma flor de melodia,
meu amor é alegria contagiosa.
é bela como prosa.

Meu amor não tem juízo,
é paraíso perigoso.
Tem alma, tem letra...
Meu amor é um poema!

Meu amor não tem começo
nem fim!
É fantasia que reside em mim.
Meu amor é assim...

Puro recheio,
somente de essência.
Meu amor é um poema!

Meu amor é Maluco!
É metáfora!
É grande novidade,
um show de paisagem...

Meu amor é uma poesia,
que está nas entrelinhas
das palavras em demasia!
Meu amor ta na poesia!
Meu amor é uma poesia!


Marina Oliveira