quinta-feira, 24 de abril de 2008

Creio que não.


Alguém aí sabe dizer quem sou eu?
Creio que não...
Nem eu mesmo tenho certeza, para falar a verdade, eu não tenho certeza de mais nada.
Hoje no ápice de minhas dúvidas, perguntei-me se era louca, mas aí eu pensei e repensei, chegando a mesma conclusão de sempre: “Louco mesmo é quem manda tudo para a puta-que-pariu!” E isso eu não fiz, ainda não...
Quando cheguei a este mundo, logo se encarregaram de me rotular, Marina (nome de mulheres muito dadas ao sonho e fantasia), para falar a verdade, esse é o único rótulo que é útil e agradável em minha vida.
Logo nos meus primeiros segundos de vida fora do útero de minha mãe, enfiaram-me goela abaixo, sem ao menos pedirem minha permissão, uma pílula; cujo efeito se mostra gradativamente, porém, com uma velocidade impressionante, se é que alguém me entende...
E em poucos instantes, sob efeito do tal TEMPO, entendi que teria que me moldar de qualquer jeito à vida dos homens.
Ah!
Estes são tão engraçados, sempre me pego distraída rindo da cara deles. Os homens se acham donos da verdade; andam por aí inventando valores, conceitos, modismos... E nunca sequer se questionaram sobre a precisão de suas “incríveis invenções”.
Realmente, este belo quadro só não é mais cômico, pois, os efeitos desta grande bagunça sempre caem sobre a minha pobre cabeça pensante, o que não é nada agradável.
Agora, neste exato momento me pergunto se estou no lugar certo. Olho para um lado, para o outro e vejo milhares de Nada; é um Nada simplesmente perfeito, produzido com a alta tecnologia do sistema. Entretanto, este Nada não passa de capa, de um produto descartável e completamente oco. Pensando bem, não teria lhe dado nome melhor do que Nada.
Eu não me considero um “super-homem”, como falava o bom e velho Zaratustra, me contento, por enquanto, com um Nada composto, um “Nada-alguma-coisa”.
Se realmente ganhamos o “livre-arbítrio” do nosso Papai-do-céu ( é aquele mesmo que mora em uma grande nuvem na imensidão azul, com seus animaizinhos e anjinhos da guarda) creio que, possamos amar e viver com quem quisermos, não é mesmo?!
Mas daí vem todo aquele discurso de liberdade, responsabilidade, e eu não estou com muito saco para falar disso agora.
Sempre tenho a impressão de que vivemos numa grande fábrica, onde, sempre que erramos, o diretor da mesma, vem com suas reclamações sobre os produtos; da um palpite ali, um concerto aqui, aperta um parafuso mais adiante... Isso, com toda a sinceridade existente no meu Ego, digo-lhe: é insuportável.
Acho que vou acabar dando uma de Manuel Bandeira e: “Vou-me embora pra Pasárgada”
O desejo lúdico dele parece mais agradável do que esta merreca de pseudo-felicidade que esta fábrica aplica em seus produtos.
Aqui é tudo tão igual...
Quando não é liso, é esticado, quando não é naturalmente loiro, se pinta os fios.
Creio que essas bonequinhas de luxo não se olhem mais no espelho, e é justamente quando percebem que passaram da validade, aí todas mudam, do corte reto, para a super franja, e assim a roda-viva da futilidade segue adiante...
Com o perdão da palavra, retiro-me agora, para tomar a “Coca-Cola das 17:00” ou posso ser mandada mais uma vez, para o concerto (entenderam a metáfora?).
É, creio que não...


Marina Oliveira

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