As pessoas sempre torram o pouco de paciência que tenho. É
tanta babaquice que me sinto absoluta na minha solidão. Afinal de contas, se eu
mandar todo mundo pro inferno sou considerada chata. Mas na verdade sou mesmo:
chata pá caralho!
Parto do princípio de que é melhor ser chata do que ter de
aturar esse bando de babacas falando coisas vazias todo o tempo. E enchem meus
ouvidos de coisas fúteis. Falam sempre as mesmas coisas e sentem-se o máximo
por cheirar cinqüenta carreiras de pó numa noite. Pois que morram de overdose!
Só tem lixo nessa terra e quase nada é reciclável. Há um
grande vácuo que separa meu mundo das atitudes humanas disponíveis nesta
realidade cibernética. Tudo é construído em cima da perfeição, dos sorrisos,
das marcas, da inteligência - quase escassa-, da manipulação de imagens,
imagens ocas, pessoas plásticas. Até parece que ninguém suja a roupa quando
vomita. Acontece é que todo mundo esquece que debaixo da terra só há putrefação.
Estou bêbada e de saco cheio de qualquer coisa que ande sob duas pernas.
- Fodam-se!
...Se tem uma coisa que faço bem é errar. A perfeição sempre me
pareceu um porre.

Um comentário:
Identifiquei. Precisava de ler algo que parecesse comigo. Já estava me achando meio louco. Nesta vasta e imensa solidão maravilhosa.
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