terça-feira, 17 de julho de 2012

Metro


Está chegando a hora de ir embora novamente...
Enfim, consegui compreender que minha vida
foi feita de partidas.
Estou sempre indo para algum lugar, ou lugar algum;
meu negócio mesmo é ir em frente.

Sempre me despedindo de pessoas que talvez
me despertassem algum sentimento;
acontece que meu tempo é curto demais,
na verdade eu nunca poderei saber
o que elas realmente significaram,
já que o meu destino é ir, ir sem vir.

Não fui feita para ficar,
mesmo que esteja latente o desejo;
minhas pernas sempre seguem adiante,
em passo firme e flutuante para
um novo mundo.

Sou uma cigana fascinada por coisas antigas;
elas me contam a história que eu nunca terei.
Afinal, partir, para mim, é um ato de sobrevivência.
E deixo claro que não se trata de uma fuga,
e sim, de uma busca por novas coisas
que me dêem vontade de fugir.

Sei que tenho que ir, e já está chegando a hora.
Preciso de novos riscos, novos medos,
de mais espaço para minha doce solidão. 
Ela que inebria de fragmentos fantásticos
meu espírito de marinheiro desbravado.

O universo marinístico não aprendeu a cativar forasteiros,
ele me fez absoluta no meu próprio ser.
Sem mais, sem cais,
sem qualquer resquício que me torne um porto seguro,
na verdade, a única coisa que não me descreve
é a segurança de viver estática.

-Minha casa é o mundo de dia,
 e uma matrix a noite...



Marina de Oliveira

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