domingo, 29 de julho de 2012

umapoesiafeitacom-quase-todas.


Se eu quisesse falar de amor,
contaria sobre Cecília
e sua superfície clara e cintilante
como as pétalas de uma flor orvalhada.
Falaria do quão reluzente é o seu nome,
que quando toma a superfície, faz amar qualquer ser
que o escute.

Se eu quisesse falar de paixão,
começaria pelas travessuras da menina
Anita, que vive como criança, deita como mulher
e explode a cada amanhecer com as novidades
que inventa; dizem até, que foi ela quem criou
o capricho e suas extravagâncias.
Digo e afirmo: ariana como ela não há...

Mas se o assunto for sabedoria,
ninguém melhor que Zoé para representar...
Ela tem perfume de biblioteca recém inaugurada,
segundo ela, seu mundo é uma poesia de Quintana:
- Eles passarão, eu passarinho!
Sabe ser leve no saber e firme no seu encanto.

Se eu quisesse falar de Marina,
eu continuaria declamando todas essas histórias.
Contaria sobre as meninas
E suas maneiras.
E seus tangos.
E seus livros.
E seus caprichos.
E seus gerânios na janela.
(...)




Marina de Oliveira e...


terça-feira, 17 de julho de 2012

Metro


Está chegando a hora de ir embora novamente...
Enfim, consegui compreender que minha vida
foi feita de partidas.
Estou sempre indo para algum lugar, ou lugar algum;
meu negócio mesmo é ir em frente.

Sempre me despedindo de pessoas que talvez
me despertassem algum sentimento;
acontece que meu tempo é curto demais,
na verdade eu nunca poderei saber
o que elas realmente significaram,
já que o meu destino é ir, ir sem vir.

Não fui feita para ficar,
mesmo que esteja latente o desejo;
minhas pernas sempre seguem adiante,
em passo firme e flutuante para
um novo mundo.

Sou uma cigana fascinada por coisas antigas;
elas me contam a história que eu nunca terei.
Afinal, partir, para mim, é um ato de sobrevivência.
E deixo claro que não se trata de uma fuga,
e sim, de uma busca por novas coisas
que me dêem vontade de fugir.

Sei que tenho que ir, e já está chegando a hora.
Preciso de novos riscos, novos medos,
de mais espaço para minha doce solidão. 
Ela que inebria de fragmentos fantásticos
meu espírito de marinheiro desbravado.

O universo marinístico não aprendeu a cativar forasteiros,
ele me fez absoluta no meu próprio ser.
Sem mais, sem cais,
sem qualquer resquício que me torne um porto seguro,
na verdade, a única coisa que não me descreve
é a segurança de viver estática.

-Minha casa é o mundo de dia,
 e uma matrix a noite...



Marina de Oliveira