sábado, 17 de dezembro de 2011

"O Corpo é a Casa"


O texto retrata os diversos segmentos que acabam por influenciar a arquitetura na contemporaneidade; abordando de forma filosófica, científica e artística questões intimamente unidas aos corpos arquitetônicos.
Os parágrafos discorrem sobre um costume herdado da modernidade, onde a sociedade se prende a costumes homogêneos, ou seja, a um mundo de representações, signos e interpretações; mostrando, ao mesmo tempo, como essa herança coexiste com as novas formas da criação.
De acordo com Guattari, o olhar humano ainda está preso aos diversos axiomas sociais; quero dizer que o homem é diariamente influenciado por máquinas sociais. As mass-mídias e suas ferramentas de consumo enchem de imagens o subconsciente social, levando a uma forma homogeneizada e reducionista da percepção visual e afetiva do homem. O autor propõe ainda, uma forma de re-singularizar esses acontecimentos, a partir do momento que podemos utilizar da “evolução maquínica” para criar espaços que possibilitem formas de recompor a representação da corporeidade existente.
É possível perceber uma explosão de acontecimentos imprevisíveis nas cidades, não podemos esquecer as manifestações do ser desterritorializado – nome dado pelo autor para aquele que não se deixa influenciar pelo controle social existente-. A arquitetura pode ser então percebida como a materialização dos movimentos do corpo humanos, um corpo mutante, nômade, que está em constante mudança; não um corpo como objeto exato, mas retratado de forma errante, experimental, tal como ele realmente é.
Atualmente, com a vastidão dos meios tecnológicos, é possível observar o mundo de uma nova forma, de uma forma impessoal, onde os acontecimentos fogem aos sentidos do corpo, ou seja, eles são vividos de uma forma semipresencial. Antes de toda explosão de tecnologia era necessário usufruir os sentidos disponíveis pelo corpo para vivenciar os espaços urbanos, era necessário utilizar o sensorial, o corporal.
Arquitetura e urbanismo podem ser percebidos de uma forma tridimensional, mesclando o real com o virtual; é possível conhecer o mundo através de experiências disponibilizadas por ferramentas da internet, atualmente vivemos divididos entre a comodidade do horizonte cibernético e as experiências reais. Ou seja, damos quase que total prioridade à nossa visão, deixando de lado os outros sentidos oferecidos pelos movimentos do corpo.
Podemos citar como exemplo, em comparação ao texto, o trabalho realizado pelo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que se diz apaixonado pelas curvas, em todos os sentidos, isso é retratado em suas obras que eclodem movimentos. Segundo ele a real beleza existe nas imperfeições das curvas. Isso reafirma a idéia de Paul Virilio, que mostra a arquitetura como revestimento dos corpos, nas formas materiais e espirituais. Virilio ainda se reporta aos estudos de Foucault sobre os manicômios do século XVIII, para concluir o pensamento de que mundo estaria cada vez menor. O estado de enclausuramento deixou de pertencer somente aos manicômios e as prisões, atualmente ele ultrapassa essas paredes e ocupa todo o espaço, o estado de vigília é presente em todos os momentos, ele está inerente as mensagens enviadas pelos meios de comunicação, pela indústria cultural; a alta velocidade em que vivemos nossas vidas expõe-nos a uma eterna instantaneidade, um mundo de imagens sedutoras, de demasiadas informações, um local onde tudo é visto. Segundo Deleuze existe uma “claustrofobia nascente nos jovens que viram tudo antes de ser visto”.
Alguns artistas e arquitetos defendem a idéia de que a arquitetura se transforma assim como o corpo, utilizando o corpo como sujeito, não mais como objeto, retornado a um pensamento onde para se construir é necessário utilizar das sensações, a materialização do corpo é entregue aos impulsos do ânimo, à sua manifestação. Cito como exemplo a pintura Impressionista que buscava explodir o mundo em cores, fugindo completamente dos preceitos do Realismo, que retratava, representava a realidade. Os pintores impressionistas viam o quadro como a obra em si mesma. Em movimento. Assim acontece com os diversos segmentos da arte, inclusive na arquitetura, que deve ser influenciada por movimentos, por uma linguagem antropomórfica; pela dança, através das “coreografias urbanas”; usando e abusando da espontaneidade corporal.
Apesar dessa maneira espontânea de perceber a arquitetura o sociólogo Jean Baudrillard discorreu em “A transparência do mal” sobre os efeitos que influenciam a arquitetura de forma quase predominante em alguns países – principalmente os que possuem problemas de infraestrutura -. Segundo ele a arquitetura sofre de interesses mercadológicos, ela coexiste com a necessidade estética dos grandes centros urbanos, o que leva a uma globalização do estético, do estático.
A arquitetura, assim como as demais expressões artísticas, tende a uma homogeneização, um processo um tanto como psicótico de repetição, de sedução para o consumo através do visual. Contudo, obviamente, as produções artísticas informais coexistem com o star system e com o sistema de persuasão midiático; percebemos um sincretismo entre o automático e o espontâneo, o popular e o sistematizado, a sobrevivência e o mercantil; é através dessa miscigenação de ideias que a sociedade busca sua condição na contemporaneidade, utilizando da naturalidade humana e da estética midiática para sobreviver a grande explosão de experiências oferecida pelo mundo globalizado.



Marina de Oliveira



Comentário sobre o texto "Arquiteturas e Contemporaneidade" de Ariadne Moraes Silva.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O (não) Querer



Teu sopro vai empurrando para fora de órbita os meus olhos,
Que vão assistindo amiúde teu não querer:
Você me quer tão longe
Que nem a linha do horizonte, na sua plenitude, poderia me abrigar.

A presença do teu silêncio me despetala enquanto flor,
Aos poucos me escondo na fria nudez.
-Por que não cuidas do jardim para que eu possa reflorescer?

Também não há correnteza que me leve para onde queres,
Pois não existe neste mundo – nem em outros-
Um lugar tão longe de chegar...

-A tua ausência de lembrança, aos poucos, me emudece.





Marina Oliveira

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Solidão


Passei em frente ao espelho e não me vi.
Deve haver muita sujeira na minha face...
Talvez por isso não pude reconhecer:
A imagem refletida,
A imagem ausente,
A imagem presente,
No imundo sofrimento do meu ser.





Marina Oliveira

terça-feira, 5 de julho de 2011

O sobrado de flor e fogo


Os gerânios na minha janela
ainda observam você chegar a casa
todas as noites,
com aquele olhar de quem procura
a criança escondida dentre as cortinas do meu sobrado.

Mesmo na nossa ausência
a minha presença
enche de perfume e calor os cômodos da sua antiga casa.
E as gargalhadas se misturam com o sotaque francês da
minha canção que eclode prazer e dor.

Pois no íntimo da noite as bocas não se atreveram a emitir
qualquer tipo de sonido que não fosse o amor;
e os olhos não ousaram olhar outra coisa além do corpo
iluminado por uma instigante vela.

Os gerânios na minha janela
ainda te procuram enquanto fumo o último cigarro...
E você não chega;
acho que não jantaremos juntos esta noite.

Receio que nosso sonho um tanto que infantil
tenha chegado ao fim;
pois a tristeza da nossa rua assiste junto a suas lágrimas
as persianas da minha casa completamente fechadas.


-A pequena Anita agora mora nos meus sonhos, nos teus sonhos vermelhos...





Marina Oliveira

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Três presentes...


Não se trata de uma despedida, mas de um novo começo, o começo de uma nova etapa que se formou através de pedaços de meses, dias, horas e momentos inesquecíveis, repletos de amor e cumplicidade. É assim que enxergo tudo o que vivemos juntas. Pessoas distintas e desconhecidas que em pouco tempo se tornaram irmã, mãe, filha, avó... Ingredientes fundamentais para essa grande receita chamada família. Pessoas que dividiram comigo momentos incríveis e fizeram que eu pudesse escrever isto com toda sinceridade e carinho. Agradeço por todos os momentos e por todo aprendizado compartilhado; agradeço pelo respeito, pela sintonia (perfeita)... E principalmente a Deus, por ter me permitido viver uma parte da minha vida (uma parte do que sou agora), com vocês. Minhas queridas crianças...
Pri, a mais palhaça de todas. Um ser maravilhoso, realmente a pessoa mais de bem com a vida que pude conhecer; divertidíssima! Impossível esquecer as gargalhadas sem fim que me proporcionou, e os quilinhos a mais também (devido a alguns encontros noturnos na cozinha), pera só um minutinho........................................Cacete de amiga gulosa!!! Poderia passar a minha ultima semana em Villa escrevendo sobre você e sobre como eu te amo muito, mas realmente só tenho uma coisa a dizer sobre tudo da senhorita Priscila: AIRRRRRRR AIRRRRRRRRRR! =D
Mari, a mais ajuizada (apesar de que a mais certa da casa baba verde). Foi minha mãe em muitos momentos, linda! Doce, me ajudou de forma imensurável a construir parte do que sou agora. Acho que foi a única pessoa no mundo capaz de enfiar alguma responsabilidade na minha cabeça dura! E enquanto dona Priscila tratava de me engordar, Mari me enfiava salada goela abaixo, ótima nutricionista! Vou sentir saudade de nossos pequenos passeios para tomar SÓ uma cerveja né?! Te amo minha mãezinha, obrigada por tudo!
Dani, acho que nem tenho muita coisa pra falar dessa “mulé”, até porque já está na minha vida há alguns “bons ano”... Ela foi (como sempre) minha irmã-zona. Chorei e ri muito no seu colo não é RASTAAAAAA?! Além de conseguir mudar sua rotina de sono, que passou a ser das seis da manhã até as três da tarde, graças as minhas conversas intermináveis... Quiero mucho a ti tia!
Minha família de coração, nunca vou me esquecer de nem um segundo do que vivemos. Obrigada, mais uma vez, por tudo! E por serem essas meninas infinitamente incríveis! Ainda vamos viver muita coisa juntas, tenho certeza disso.
Amo vocês, e que nossos caminhos se cruzem (dessa forma mágica) muitas e muitas vezes.
Fiquem com Deus.

À Priscila Macenas, Mariana Strauch e Daniela Viegas;

-Minhas eternas companheiras de piso.





Marina Oliveira

segunda-feira, 16 de maio de 2011

228 Palavras.


Quando eu fecho os olhos posso sentir meu espírito abandonar a velha capa e pairar pelos quatro cantos do mundo, deste e de outros mundos...
É um momento que possui uma riqueza singela, eclodindo um mundo de ideias que fluem em pequenas ligações entre neurônios abstratos. Esquecemos a verdadeira essência de existir, nos prendemos em um mundo material nos tornando seres que respiram e transpiram ilusões, que nos fazem dormir num leito de propagandas e cartazes; e quando despertamos somos atacados por falsas informações e sorrisos que confortam a pobre carne, assim podemos acreditar na utopia da liberdade terrestre. Simplesmente incorporamos pássaros do sistema e voamos neste universo de consumo pelo “bem estar”. Pelo bem estar dos grandes e poderosos, que vendem nossas almas a preços muito baixos, escravizando a autoestima de seres que buscaram uma vida marginal a toda essa putrefação...
Pois então aqui estou, sobrevoando mundos distintos, com a verdadeira liberdade, sem escravidão, sem medo; e com a certeza de que os assassinos do verdadeiro valor, irão se redimir diante a nova geração de navegantes guiados pelas sinceras palavras que ecoam amor. E quando nascer o sol, após o dilúvio, vamos aprender a ajudar e a semear a paz; e poderemos, enfim, colher os verdadeiros frutos da trindade: amor, luz e justiça. Digo adeus para a empáfia dos colonizadores em meio a fumaça...

-Que virem pó!





Marina Oliveira

terça-feira, 29 de março de 2011

Poesia Perdida.


As palavras fugiram de mim,
pois não consigo escrever nada mais que me agrade;
que te agrade...
Todas as minhas poesias surgiam de uma inspiração
quase que vital.
Todos os versos que fiz, foram pra você.
Que era minha poesia.
exatamente isso: você era a poesia mais bela,
mais incerta.
Minha dúvida permanente, minha certeza mais irreal.
Eram as palavras que surgiam na noite com a serenata da lua...
Um amor, um grande amor.
E agora, as palavras para compor meus poemas sumiram;
foram embora e nem sequer me disseram para onde.
penso que estão no vazio do mundo, nos arbustos de flores
da primavera passada.
Não esquecerei, mas também não consigo lembrar das estrofes
que tinha guardado...
Joguei ao mar a intensidade de minhas letras.

-Para minha antiga poesia.





Marina Oliveira

sábado, 12 de março de 2011

Nascer do dia.


Quem diria que um dia,
após tanta chuva,
o sol iria resplandecer
novamente no horizonte.

Ainda ontem sentia frio
nas ruas desertas de Madrid...
Foi quando num novo dia,
o sol me abraçou de outra forma.

Sem choro, sem drama, sem medo.
E foi enchendo meu peito de alegria:
Por ser igualmente distinto,
por esconder o frio só para me fazer sorrir...

-Ahora estoy bien.






Marina Oliveira

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O som do teu gosto


Como é bom ter o seu corpo com meu corpo,
ouvir o tom da sua voz,
saber do teu amor, do teu calor;
sentir o sabor do teu gosto.

Como é bom ter o seu melhor sorriso,
simbiose com a mais doce lágrima.
Conhecer seu medo, seu desejo;
sentir a presença da tua boca.

Como é bom morar nos teus sonhos
e viver na mais tímida presença
com a mais devastadora ausência.
Jantar as curvas da tua poesia
todos os dias...

-O perfume da tua agonia invade meu quarto
enquanto o frio adormece...





Marina Oliveira

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Mais uma palavra do último dicionário


Todas as letras usadas para escrever-te sumiram de repente.
As vogais foram com a chuva que caiu dos olhos;
as consoantes, cansadas de tanta água, procuraram abrigo num mundo distante...
E foi assim que tudo começou: algumas pedras de gelo e nenhuma palavra.



Marina Oliveira

sábado, 15 de janeiro de 2011

Meu presente pra você...


Pediram-me um poema
com frases, estrofes e tercetos.
Porém, poeta mais teimoso que
eu não existe.

Utilizarei então
as tuas adoradas reticências...
Pois há tanto o que falar
pequeno ser.

Tantas músicas para versar,
que eu, pobre poeta da noite
não conseguiria alcançar
a beleza e luminosidade
do teu olhar.

Fico então com tuas reticências.
Que nenhum soneto neste mundo
e nenhuma das mais belas estrelas,
seriam suficientes para descrevê-la...

-Não pude negar o pedido de uma insistente luzinha...




Feliz aniversário ;)


Marina Oliveira

domingo, 9 de janeiro de 2011

Metáfora da boa morte


...Pois o tempo, meu caro amigo, é mais breve que o bater das asas da mais colorida borboleta; que o vento sopra num tom suave de rima, para os misteriosos campos floridos da vida...
Então, escuta a melodia que brota dos sinceros sorrisos; que o tempo, meu irmão, nada mais é que o futuro numa fotografia.





Marina Oliveira

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pólen


Ainda somos sementes,
Temos de esperar a chuva chegar,
Só pra desabrochar;
Pétala por pétala...

Assim que a primavera chegar,
O brilho do amor virá
Junto com a brisa,
Balançando o caule da flor...

Paciência Flor!
Já que o amor, assim como o pólen,
foi feito para semear.
-Ao mais lindo Hibisco...




Marina Oliveira

domingo, 2 de janeiro de 2011

As quatro melhores coisas do mundo.


Após horas sob o sol escaldante, procuramos uma sombra e nos sentamos para observar o mar:
As pessoas que ali passavam, pouco iluminavam o ambiente, apesar das vestes bordadas com fios de ouro.
Ficamos sentados durante algum tempo sentindo o desenrolar do mundo com olhos entreabertos...
A conversa seguia sorrateira pelos grãos de areia, o salitre soprava o rosto, pingos d’água tocavam o corpo no momento que as ondas quebravam na praia.
Podia-se sentir a vida do dia, todos os movimentos que ele realizava para cumprir seu ciclo, a dança, o som, a alma...
Naquela mistura –quase que alucinógena- de singularidades, a voz de outrem me disse assim: “o homem ergueu seu próprio zoológico”.
Escutei com cautela, dei algum tempo para meu cérebro digerir a informação e concordei; não poderia ser diferente, já que a voz saiu de um ser tão igual a mim...
Após a conversa, quando as estrelas já estavam posicionadas para o espetáculo, levantamos, pegamos os malabares e concluímos: que as quatro melhores coisas do mundo são realmente, comer e viajar...








Marina Oliveira