
Os gerânios na minha janela
ainda observam você chegar a casa
todas as noites,
com aquele olhar de quem procura
a criança escondida dentre as cortinas do meu sobrado.
Mesmo na nossa ausência
a minha presença
enche de perfume e calor os cômodos da sua antiga casa.
E as gargalhadas se misturam com o sotaque francês da
minha canção que eclode prazer e dor.
Pois no íntimo da noite as bocas não se atreveram a emitir
qualquer tipo de sonido que não fosse o amor;
e os olhos não ousaram olhar outra coisa além do corpo
iluminado por uma instigante vela.
Os gerânios na minha janela
ainda te procuram enquanto fumo o último cigarro...
E você não chega;
acho que não jantaremos juntos esta noite.
Receio que nosso sonho um tanto que infantil
tenha chegado ao fim;
pois a tristeza da nossa rua assiste junto a suas lágrimas
as persianas da minha casa completamente fechadas.
-A pequena Anita agora mora nos meus sonhos, nos teus sonhos vermelhos...
Marina Oliveira
Um comentário:
precioso, anita sigue siempre en el balcón, aún con las persianas cerradas, solo hay que saber mirar...
vc ssei maravelosa
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