terça-feira, 27 de julho de 2010

pôr do sol


Senti o vento chegar
Com um perfume novo de flor.
Não era dia,
Muito menos tarde.
Foi na primavera desta nova fase...
A vida fluindo à espera de um novo amor;
Sem ressentimento,
Sem mágoa,
(...)
Era apenas a primavera das flores novas;
E o vento que passou
Deixou pra mim uma mensagem:

“Deste o melhor de ti ao ver o sol,
se ele se pôs, só resta ao mar seguir em frente
e só olhar pro céu quando valer a pena...”

-Escutei o vento e um beija-flor me abriu a porta.






Marina Oliveira

despertar


Em breve poderei andar descalça;
Sentir nos pés a textura da terra encantada,
Lavar a carne com as águas puras do Vale,
Respirar a verdadeira vida
E ser, sem temer perder o ter.
Porque este, não me serve de nada
É apenas um fantoche usado pelas propagandas
Numa sociedade iluminada por holofotes de grandeza material.
Falta pouco tempo para eu seguir o caminho
Que é marginalizado pelos grandes
E escolhido pelos resistentes.
Quero mais é deitar ao chão,
Deleitar o céu,
E deixar a alma passear nas nascentes das quedas...
Vou esperar o tempo sem olhar pra trás,
E enfim, dar adeus ao velho e decadente mundo.







-Serei marginal enquanto possível, e verei a putrefação do mundo como um final de tarde nas alturas do Pai Inácio.






Marina Oliveira

domingo, 11 de julho de 2010

A poesia da noite passada.


Fiz uma grande poesia
Com direito a luz de velas e boa companhia.
Um colo aconchegante,
Um calor quase que reconfortante
E algumas folhas fechadas para presente.

Fiz uma grande poesia com o corpo,
Mas a mente caminhava por outros mundos,
Ela e sua atroz teimosia...
Lembro-me bem que escrevi grandes versos,
Não sei ao certo seu conteúdo.

Sei apenas que era completamente ilícito.
-Uma poesia embebida noutro corpo...






Marina Oliveira

quinta-feira, 8 de julho de 2010

baía


Estes olhos da minha terra
Que se deleitam nestas águas calmas da baía...
Pouco sabe estes olhinhos que em breve
Serão feitos de água e sal.

Ah! Minha Bahia deixe-me vislumbrar
Mais um bocado desta terra
Recheada de beleza
Nas águas quentes dos sambas de Caymmi.

Que a vida é curta
E a alegria da minha velha Bahia
É comer vatapá com as notas da melodia
Que saem das águas do mar.




Marina Oliveira

Fotografia por Pierre Verger

O mundo com Daniela.


Não tem tempo ruim.
Nem Ela,
Nem Joana.
O mundo com Daniela tem:
Conversa fiada debaixo da escada
Fumaça voando por todos os cantos
Água também tem.
Uma bolsa que se enche, apenas, com duas latas:
A do amor - que é de Dani-
A da felicidade - que é minha-.
E quando essas duas se encontram...
O mundo fica completamente circular
As risadas correm no tempo
E ao chegar a casa no final de semana,
A vida ganha um tom de dormência bem singular.
Uma tela,
Algumas cores,
Uma pitada de fórmula,
E tempo,
Tempo a gosto!




Marina Oliveira

Felicidade é assistir o vento.


Há felicidade maior do que assistir o desenrolar do vento?
Quando brisa, balança as folhas,
Se mais forte, envolve os galhos...
Agora, meu caro amigo, bom mesmo é ver sua fúria na tempestade:
Só fica o que renasce!




Marina Oliveira

Amor infantil


Está vendo criança,
O comprimento que a noite tem?
E que a largura do dia cresce a cada instante
Que o luar invade o céu como todas as flores
Da nossa primavera?

Pago caro por amar-te em alguns versos ditos
Por um pobre coração,
Que de tão louco mergulhou
No mais ‘embreagável’ líquido:
A esperança.

Perdoa-me por tentar mostrar o real
Tamanho das estrelas;
Que de tão apaixonadas pulavam
Na escuridão da noite.
Foi repentina a alegria da lua.

Está vendo criança?
Como a chuva lava a alma
Mas não leva sentimentos?
Que nem o tempo pode apagar
A sinceridade do olhar entre os astros...

O meu erro foi amar-te na claridade dos dias.
Em cada verso de poesia que fiz
E cantei por toda serenata dessa triste e linda história.
Perdoa-me o desafinar do violão,
Pobre canção, atordoada de amor.

Pago caro por entregar-te:
Alguns sorrisos sonhados,
Alguns sonhos não desvendados,
E pensamentos outrora
Inimagináveis.

Está vendo criança?
Que continuarei a amar-te na insolência
Dos meus versos íntimos.
Não mais tímidos, mas íntimos;
À medida que o tempo passa e o meu amor
Embrulha-se pra presente, aguardando o desabrochar da aurora.

Amo-te em cada pétala de flor que vires,
Em cada beija-flor que cruzar seus olhos,
Em cada pôr-do-sol – mesmo na presença da chuva-
Em cada nascer da lua.
Amar-te-ei a cada piscar dos teus olhos.





Marina Oliveira