sexta-feira, 13 de março de 2009

Meu querer.


Eu queria andar descalço, sentir o asfalto arder em meus pés,
Queria morar na casa da árvore, estudar história e soltar fumaça em patrimônio público.
Queria viver no mar, dormir na lua e acordar no sol; andar nas estrelas e juntar-me ao mundo com nada no bolso.
Acrescentar-me experiências de êxtase em culturas diversas.
Escalar montanhas e decifrar os códigos da trilha viva, do verde.
Eu queria fazer teatro, representar na areia as personagens que pude conhecer no decorrer da grande caminhada.
Descobrir a pluralidade dos elementos que me formam; dançar no ar, parar no tempo, beber da água, deitar na terra e descansar; despertar com o canto das tribos e o perfume da flora.
Queria nadar em quedas d’água, saborear frutas exóticas, me embriagar de momentos simples, ouvir o barulho da chuva, sentir o aroma do chão, correr os desertos e flutuar no mar morto...
Comer nuvens de algodão doce, viver no Olímpo, tocar harpa, ser uma bruxa vestida de fada, voar pelo céu durante a aurora e ser alquimista da minha realidade.
Queria viver como os nômades, desenhar nas cavernas, descobrir o fogo e me dividir em várias épocas.
Eu queria tanta coisa que acabei esquecendo de calçar os sapatos.



Marina Oliveira

Um comentário:

Marcella Almeida disse...
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