quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Menina Baía


Os olhos negros da menina Baía
são como as flechas do mais guerreiro dos índios.
Pobre de quem se arrisca a olhá-los,
Certo será ferido sem vestígio algum de dor,
Pois seus olhos matam apenas com mistério e amor.

A pele dourada da menina Baía
Tem cheiro doce de maracujá com cajá e
perfume tropical de helicônia.
Possui o dom do sincretismo no sangue:
Nasceu na selva dos índios e nas tribos africanas.

O calor de Baía arde mais que chama
de fogueira nordestina em noite de São João.
Ela tem no pé, Forró;
Nas veias, Mapiko;
No coração, Samba;
Na alma o ritmo.

A menina Baía tem hálito de canela,
Suas palavras são capazes
de embriagar toda fauna da floresta Amazônica.
Tem olhar de tigresa,
juba de leão.
Gênio de criança e orgulho de mulher.

Baía é o veneno da flor.
Ela grita a vida de uma forma tão serena
que nem a própria consegue explicar.
Ainda assim, me arrisco e afirmo:
A origem da sua beleza reside nos segundos
que separam Baía do Mar.






Marina de Oliveira

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