quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Menina Baía


Os olhos negros da menina Baía
são como as flechas do mais guerreiro dos índios.
Pobre de quem se arrisca a olhá-los,
Certo será ferido sem vestígio algum de dor,
Pois seus olhos matam apenas com mistério e amor.

A pele dourada da menina Baía
Tem cheiro doce de maracujá com cajá e
perfume tropical de helicônia.
Possui o dom do sincretismo no sangue:
Nasceu na selva dos índios e nas tribos africanas.

O calor de Baía arde mais que chama
de fogueira nordestina em noite de São João.
Ela tem no pé, Forró;
Nas veias, Mapiko;
No coração, Samba;
Na alma o ritmo.

A menina Baía tem hálito de canela,
Suas palavras são capazes
de embriagar toda fauna da floresta Amazônica.
Tem olhar de tigresa,
juba de leão.
Gênio de criança e orgulho de mulher.

Baía é o veneno da flor.
Ela grita a vida de uma forma tão serena
que nem a própria consegue explicar.
Ainda assim, me arrisco e afirmo:
A origem da sua beleza reside nos segundos
que separam Baía do Mar.






Marina de Oliveira

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Verdadeira Ausência.


Explica-me a razão da existência,
Pois sem saber de ti
Tornei-me um projeto de ser que não tem voz.

Qual o motivo de esconder-te assim?
Se na verdade, sei que está aqui
E nunca me deixou de verdade,
Que na verdade não sabemos viver
Distantes no tempo.

Afirmo com o pequeno vocabulário que ainda me resta,
Que sem ti sou nada,
Já que compartimos do mesmo corpo e da mesma alma,
Seria impossível a vida sem a cor do nosso dom.

Desculpe-me se te ofendi sendo platéia do mundo (i)real
Mas nós sabemos que a vida é assim,
E juramos nunca nos separarmos...
Mas onde em mim você se encontra?
Que não sinto mais seu desabrochar nos melhores momentos
Da minha inspiração...

Encontra-me nos caminhos de Eldorado,
Ou nas ondas do Mar Morto,
Segura minha mão para que eu possa
Voltar a escrever a nossa história
Nas linhas imaginárias do meu papel.

- Mais difícil do ver a inspiração se esvair nas curvas do tempo, é sentir a impotência diante o medo de nunca mais poder satisfazer a alma com Poesia.




Marina de Oliveira