terça-feira, 26 de outubro de 2010
única dose.
-uma dose, por favor.
espero aquele líquido ser entregue em minha mesa.
mas o que há dentro?
seguro o copo:
observo, inalo, sinto...
vejo também algumas pessoas ali,
ofegantes por não saberem o que fazer,
tudo uma merda e ninguém olha pro lado.
aproximo o copo da boca, respirando-o uma ultima vez.
desisto.
retiro meu isqueiro do bolso,
acendo um cigarro para uma última reflexão:
é o mundo em minha frente transformado
num copo de aguardente!
não sei se bebo de vez, ou pausadamente,
engolindo todos que me fazem mal.
um a um ou um único gole?
eis a questão...
(...)
-aceita mais uma dose?
-não, obrigada. Eles que se afoguem!
Marina de Oliveira
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