quarta-feira, 27 de outubro de 2010

pelo, pela, pelos, pelas.


Obrigada:
Pelos momentos, pelas risadas, pelos abraços, pelas palhaçadas, pelas lágrimas,pelas viagens, pelos sarros, pelos conselhos, pelas verdades, pelo tempo, pela existência,pelas coincidências, pelas broncas, pelos banhos de mar, pelo olhar, pelo caminhar, pela cerveja, pelo jantar, pela companhia, pela alegria, pelo amor, pelo sonhar, pelas fotografias, pelas palavras, pela euforia, pelo agüentar, pela ligação, pelo apertar, pela coragem, pelo sorriso, pelo paraíso, pela irmandade, pela sintonia, pela fantasia, pela infância, pelas dicas,pela irresponsabilidade, pela sacanagem, pelos verbos, pelo céu, pelo entendimento, pela fé, pela birra, pela graça, pelo lembrar, pelo dia do poeta, pela festa, pelas tintas, pela bagunça, pela presença, pelo convite, pelo zelar, pelo suco de abacaxi, pelo círculo e pelo tempo nunca perdido.
Obrigada:
Por estar presente, por estar contente, por estar ao meu lado, por entender meu dicionário, por ser da família, por ser minha filha, por ser minha criança, por ser minha Irmã, por ser minha esperança, por ser minha casa, por ser diferente, por ser passado, por ser futuro, por ser concreto, por ser de ferro, por ser de algodão, por ser o tudo, por ser meu chão, por dar a mão, por confiar, por ser além, por ser alguém...
Por ser alguém que me faz tão bem.

Amo você desde uns sete anos atrás.

Mais uma vez, obrigada.






Marina Oliveira

terça-feira, 26 de outubro de 2010

única dose.



-uma dose, por favor.
espero aquele líquido ser entregue em minha mesa.
mas o que há dentro?
seguro o copo:
observo, inalo, sinto...
vejo também algumas pessoas ali,
ofegantes por não saberem o que fazer,
tudo uma merda e ninguém olha pro lado.
aproximo o copo da boca, respirando-o uma ultima vez.
desisto.
retiro meu isqueiro do bolso,
acendo um cigarro para uma última reflexão:
é o mundo em minha frente transformado
num copo de aguardente!
não sei se bebo de vez, ou pausadamente,
engolindo todos que me fazem mal.
um a um ou um único gole?
eis a questão...
(...)

-aceita mais uma dose?
-não, obrigada. Eles que se afoguem!







Marina de Oliveira

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Para Manuel...


Ensina-me o caminho Manuel?
Como que faço pra chegar lá?
Posso ir de trem?
Se for preciso vou a pé também;
voando, quem sabe...
Mas tenho que ir, por favo,
ensina pra mim?
Diz-me como é o caminho!
Se é de pedra, barro, areia...
Posso ir sozinho Manuel?
Pois se for pelo mar,
não posso carregar mais ninguém,
que meu barquinho de papel pode naufragar...
Lá tem rei mesmo?
Disseram-me que até louca tem!
Se for assim, quero ficar louca também.
Pois é tanta alegria que existe lá...
Você vai me ensinar?
Manuel?
Manuel?
(...)
-Acho que terei de ir sonhando... Ah! Pasárgada.







Marina Oliveira

Aqui jaz um poeta.


Estou de saco cheio de tanta coisa.
De tanta roupa, de tanta lágrima, de tanta cena...
É que meu estômago não agüenta mais,
não suporta mais ser alimentado por sementes
que nem sequer foram plantadas.

Já estou farta de tantos sorrisos, falsos sorrisos;
falsos sentimentos.
É tanta máscara neste meu carnaval...
Todo mundo mente o que sente;
e convence.

Pelo menos me convenceu diversas vezes.
Não mais...
Pois se é de pedra o coração
dessa gente, que o meu também seja.
Acabou.





Marina Oliveira

sábado, 23 de outubro de 2010

Melhor não perder tempo...


Preciso encontrar no velho baú as palavras ácidas que costumava utilizar em meus textos. Na verdade, decidi procurá-las com a intenção de retomar o estilo ‘marinístico’da escrita; sem melodramas, sem vocabulário rebuscado, sem maquiagem.
O problema é que já revirei todo baú e não encontrei tema algum que instigasse o ressurgimento destas palavras...
Alguns textos engajados, e por aí vai. Política, fé, meio ambiente, fome, riqueza, capitalismo... Encontrei alguns contos eróticos também, com a mais chula forma da escrita, o que me empolga muito, o naturalismo/realismo é sempre bem vindo para acabar com o moralismo ridículo que encobre a selvageria humana.
Vejamos o que temos mais aqui: um pouco da idiotice romântica das inúmeras paixões, certa ingenuidade – confesso preservá-la longinquamente-, temos aqui quatro anos de puro ‘tempo’ e aventuras inimagináveis, algumas frases literalmente á-ci-das, algumas estrofes bêbadas; tudo isso fruto de um relacionamento entre adolescência e curiosidade demasiada. Acabou.
Entrelinhas multicoloridas. Acredito que não exista ninguém capaz de entender certas coisas aqui encontradas; não duvidando da capacidade interpretativa das pessoas, nunca duvidei, a questão é que nunca acreditei na inteligência dos burros. Desculpa, mas é verdade.
Não confio em quem não utiliza das orgias literárias para compor um bom texto. Essa mania de organização perfeccionista já me encheu o saco. A beleza está na dança das curvas - isso já foi dito por mim, mas é sempre bom reforçar-.
Que porra! Já não agüento mais preservar estes olhares provincianos. O mundo existe, e é deliciosamente antropofágico...
- Mais um cigarro, por favor. Pausa. Em cinco minutos continuarei minha busca neste baú (apesar de não lembrar muito bem o que procuro).
(...)
Achei! Achei a origem dos meus medos: Jurandir, nunca esquecerei este infeliz nome.
Encontrei também a causa dos meus inúmeros pesadelos com piscinas extremamente fundas: Mar Grande, alguém tenta me afogar, de brincadeira, será?!
Bem, deixarei isso para outro momento.
O que temos mais aqui...
Um dos sete pecados mais utilizados pela minha pessoa: Preguiça... Como dizia Caymmi: “Uma chuvinha, redinha, Cotinha, aí piorou, não tô, nem vou...”
Aiii, que sono.
E não vou mesmo, não vou dar ibope ao que me despreza; isso sim é um gostoso cansaço.
Mas quantos sonhos têm aqui! Quantas cores, quantas dores...
-Ei! Todos vocês que estão desperdiçando tempo lendo este descabeçado texto, podem me julgar! Não me importarei.
Imaginar, fantasiar, criticar, falar, digerir... Vamos! Continuem.
Que vou continuar a procurar o jeito ‘marinístico’ de versar, quer dizer, vomitar. Suco gástrico para todo lado, em forma de letras desorganizadas.
Pois é assim que gosto do meu samba, assim que minha amada vida dança.
Amando cada pedaço, odiando cada pedaço também, e tudo junto, no mesmo espaço; nada de separar, homens do lado, mulheres do outro. Na minha escola de samba é todo mundo do mesmo lado.
E assim essa busca se encerra, ela e essa minha mania de viver buscando coisa alguma.
Vou fechando o baú, lentamente...
-Achei! Achei o que não procurava, que espetáculo!
Dois reais no bolso da calça - como é bom encontrar um trocado-, com mais trinta centavos entro num ônibus e vou embora, procurar no mundo.





Marina Oliveira

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Gostoso cansaço...


O sonho noturno fluiu assim:

Quando me vires de costas tome cuidado,
Estarei cansado demais para olhar pra trás.









Marina Oliveira

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ser ou saber...


Alguém aí pode me dizer,
por que sou assim irresponsável?
Tenho essa mania de só fazer
o que gosto e jogar ao vento o
que não é do meu agrado...
Vou deixando para trás infinitas
oportunidades, as que desagradam
meu teimoso ego.
É essa vida minha inconseqüente que
faz-me correr tanto para lugar algum.
Por favor, alguém aí pode me responder??
Sequer escutar os meus gritos mudos de prazer?
Pois não sei fazer e não tem jeito
d’eu aprender, a seguir as retas corretas dessa vida.
A dança das curvas me agrada muito;
e receio saber que numa dessas esquinas vou me desfazer.
Alguém aí pode me falar?
Será que vou crescer?
Ou vou morrer sem saber o quão correta poderia ser...






Marina Oliveira

Cheiro de flor


Foi assim como um perfume
de flor ao brotar,
o amor...
Tem um aroma igual ao de
teus cabelos,
misturam-se pétalas e pelos
nesse abraço bom que é só
seu, só meu...







Marina Oliveira

Versos não ditos


Vou lhe dizer agora sobre os tais
sonhos que sonhei.
Dir-lhe-ei a verdade diante teus olhos
castanhos.
Não esconderei a sinceridade do amor
em meu peito.
Falarei simplesmente que não existem
motivos para amar assim como eu...
E vou amar-te até o ultimo verso desta
poesia;
E cada estrofe levará um pouquinho deste
irremediável sentimento pra ti.
Quando terminares de ler vai descobrir
o quanto senti e não pude dizer...
Mas anda depressa que já vai anoitecer.
Anoiteceu!
A poesia virou lua e nada mais pode dizer;
é que lua não fala...






Marina Oliveira

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Contador de histórias


Dei-me a mão e vamos sair
pra ver de perto as velas que beijam o vento.
Vamos comigo sentar no cais,
ouvir histórias de veleiros antigos...
Posso te contar também, meu bem,
contar o que sei sobre o tempo
que se passou em meu coração manuscrito.
Dei-me a mão, segure firme.
Que do cais podemos passear no ar
e na mais bela nuvem acampar.
Podemos ficar uns dias por lá
admirando as borboletas.
Por último podemos pegar aquele caminho secreto...
Soube que lá podemos deitar no cais
que flutua no ar como antigos veleiros;
as velas batem asas como borboletas...
Podemos até ver nas nuvens
os beijos manuscritos
de um coração contador de histórias.





Marina Oliveira

terça-feira, 12 de outubro de 2010

...


Serei eu um mero andarilho sem rumo?
Seguindo apenas o som do vento e
o sentido da correnteza...
Talvez eu seja a lua cheia,
o canto das aves,
o devorar dos bichos.
É que ninguém entende minhas filosofias...
Talvez as estrelas entendam um dia,
uma noite, quem sabe...






Marina Oliveira

água e sal.


Tão forte é sua beleza que ao deparar-se
com os galhos duma velha árvore
-o tempo se esconde com a tal gravidade-
As gotas de sal chovem, destemidamente,
vestidas de prata...



Marina Oliveira

Simbiose


As nuvens agora se misturam aos raios
vivos do fim do dia,
num momento onde já não conseguimos
distinguir os elementos.

Agora já não se sabe o que é fogo,
o que é água, o que é terra, o que é ar...
Todos se uniram numa simbiose de beleza.

A raridade transforma realidade em sonho.
Agora já não sei quem sou...
Um ser feito somente de amor?
Ou a beleza materializada nos olhos de um sonhador?

A cada segundo dessa vida as fotografias
misturam-se ao vento, que as levam para além do que
posso admirar...





Marina Oliveira

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Caixa.


Encontrei uma caixa há um tempo.
Não estava em sua melhor forma,
mas ainda apresentava grande resistência.
Era feita de madeira, talvez jacarandá;
Seu cadeado, apesar de apresentar sinais de ferrugem
estava guardando o interior com grande veemência.
O que mais me intrigou foi o fato de
o cadeado não possuir abertura para chave...
Estudei todas as possibilidades de abri-la,
Todas em vão.
Naquele momento minha mente concretizava o inimaginável,
fazia estripulias psicodélicas para decifrar alguma forma
de conhecer o segredo escondido naquela misteriosa caixa.
Foi quando numa dessas noites encontrei a chave necessária
para abri-la...
Em seu interior encontrei:
A alma do mundo que estava presa.



OBS: Cada um possui em seu interior a ‘chave’ para abrir qualquer ‘caixa’ - deste e de outros mundos-. O problema é reconhecê-la...







Marina Oliveira

sábado, 2 de outubro de 2010

Conchinha musical.


Que tanto canta essa conchinha do mar?
Tão tagarela assim nem me deixa dormir.
É toda noite a mesma coisa,
sempre que fecho os olhos a falante
desatina a cantar sua eterna sinfonia.
Não satisfeita, conta história também...
Que é sempre a mesma:
O amor vivido na areia da praia,
achou uma casa e foi nela morar
(...)
Conchinha do mar.


-A um molusco saudoso.





Marina Oliveira

Vai saber...


Oh meu bem, não me olhas assim
como quem pede perdão.
Pois coração mole feito o meu ainda não vi igual.

Sei que há tempos estás imersa em minha poesia.
Cuidado meu bem!
Versos traiçoeiros como os meus ainda não li igual.

É que escrevo apenas segredos disfarçados
de sonhos.
Irreal, real, irreal, real...




Marina Oliveira