segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Minhas consequências


Nunca tive muita paciência
para pensamentos longos e concretos.
Tenho uma irremediável mania
de fazer antes, pensar depois.
Só assim os pensamentos ficam mais
leves, desprovidos de muita densidade.
Eles passam por mim e logo ganham
a vastidão do horizonte.
Por isso ‘consequência’ não é algo
Que signifique muito pra mim...
Pois minha grande distração nessa vida
é deleitar-me nas surpresas que aparecem
nas distintas esquinas;
sendo assim, vivo também tristezas profundas,
Pois sei que as alegrias serão grandiosas
e verdadeiras.
É nesse misto de quedas e vôos que me sinto
fascinantemente viva.





Marina Oliveira

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Feijão com Macarrão


Nada é o que parece ser,
Nem nunca será.
O que é, verdadeiramente,
Esconde-se dentre os pareceres da vida.

Por isso meu amigo, tome cuidado, fique atento:
As cobras estão disfarçadas por entre as árvores...
Na verdade, o amor é o réptil.
Eu sou apenas o jardim.






Marina Oliveira

domingo, 12 de setembro de 2010

Comunicado ao Tempo;


Parei com o tempo,
Talvez por ter percebido que
Estava realmente parada no
Tempo.
Meu mundo lúdico misturou-se
Algumas vezes com a realidade,
E levou-me a um lugar mágico
Onde o passado não existe, ou melhor,
É esquecido.
Confesso ter vivido experiências que me
Fizeram crescer de forma inexplicável e
Empolgante.
(...)
Às vezes tenho a impressão de ter
Abandonado todo um universo só meu,
Que ninguém jamais ousou conhecer
Mas acontece que alguns sonhos nos enviam
Mensagens que muitas vezes
Não podem ser deixadas para trás.
Rompi com meu amado tempo,
E vou seguir andando ao lado
De um novo caminho.
Obrigada amor,
Mas agora prefiro encontrar-te
Em algumas poucas esquinas.
-Meu tempo agora é outro.







Marina Oliveira

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Até logo!


Já se faz tarde meu bem,
E eu não posso mais ficar.
Vou pra luta,
Tenho muito amor pra zelar.

E você, tem algo pra dar?
Que não se compre nem se possua.
Algo que seja estado de graça,
Pode até ser a pura sinceridade de um sorriso.

É que eu já cansei...
Das suas falas empacotadas,
E desta redoma de ouro
Que reluz empáfia.

Mas como eu ia dizendo,
Eu já vou embora,
Tenho muita terra pra molhar,
É que gosto mesmo do cheiro do mato, sabe?

E esse seu perfume forte me faz enjoar...
Já ta na minha hora e não vou mais ficar,
Que de longe o vento traz
O barulho do trem.

Lá vem ele cantando
Pra me embalar.
Eu to atrasado
-Até logo meu bem, eu vou para -a- mar!




Marina Oliveira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Um presente


Eu te amo tanto
Que só de sentir esse amor
Sei que não vou morrer
Vou viver pra ver,

Pra ver você:
Chegar de repente,
Com esse olhar de oceano
Abraçando-me lentamente até adormecer.

Pois sei que mesmo sem você presente
O amor que nos faz viver
É maior que a ausência
Que -tenta- nos fazer sofrer

Sei também que a saudade
Que aperta meu peito
É pretexto do tempo
Para eu aprender:

Que para nós a ausência não existe;
E é na fé que vamos trilhando
O caminho do amor,
Meu pequeno e grandeioso Zé...







Marina Oliveira

Um boteco, um samba e algumas doses de mar.


Foi nessa tal boemia que aprendi a sambar
E na desordem das ondas
Vou declamando alguns versos,
Tomando alguns goles...
Pois assim que Cartola anunciar:
“Corra e olhe o céu”
Eu vou pra nunca mais voltar!
E que a moradia destes versos
Seja sempre uma garrafa;
Um boteco, um samba e algumas doses de mar...






Marina Oliveira