quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Olhos infantis


Que quer dizer seus olhos criança?
Estes ‘olhos-espelhos’ empoeirados que escondem o brilho da infância
São profundos esconderijos da vida que guardam solidão e tristeza com toda agonia

Que quer gritar seus olhos criança?
Pequenos olhinhos que mostram a agressividade em que foi ferida tua alma
E choram tímidos pelas entrelinhas do espaço oculto

Que de tão pequenos guardam sua fala nas gotas que escorrem por dentro.
E nem sabem rezar os olhos, coitados...
São tão adultos num corpo de criança

Que quer achar seus olhos criança?
Que tanto procuras?
Que estão tão perdidos na putrefação humana
E lutam até mesmo contra a esperança, tentando a todo custo vencer a própria fraqueza
Escancaram-se como quem procura um pequeno vestígio de sorriso na sequidão mundana

Me diz agora adulta criança, não sabes da luz?
Da luz que habita em seu ingênuo coração, e faz com que consigas resistir a tantos atos de perversão?
Não sabes que toda sujeira grudada em tua face foi construída?
Ah menininha, pouco conheces os malfeitores de teu atual retrato!

Seus amendoados faróis da alma perderam a virilidade antes do tempo, minha pobre criança...
E seus olhos procuram respostas no escuro, no submundo da desumanidade.
Sua alma chora por não conseguir compreender o que fez para receber tal castigo,
E realmente, você nada fez;
Fizeram por você...



Marina Oliveira
(fotografia por Sebastião Salgado)

Tempo


Tempo não é dinheiro, nunca foi...
Ele é a vida inteira.
E a vida não se resume a uma folha de papel que destrói coisas belas.
Dinheiro sujo, podre...
Pois todos que insistem em voar além de Deus
Iludem-se com a beleza estética dos jardins suspensos da babilônia.
E cabe a cada um de nós podarmos diariamente as exigências supérfluas do ego para que ele não crie mais falsas flores...
A vida é uma passagem e a morte um nascimento,
Por isso o ego, pobre produto construído em frente à tevê,
Tenta nos iludir com a brilhante sensação de que a vida pode descansar num mar de rosas quando consumida,
E pintam em tinta óleo que a morte nada mais é que o fim.
E retratam que a verdade se encontra nas mãos de pobres poderosos.
E ensinam que as crianças são seres insignificantes (quando são as mais importantes)
E com toda esta exposição da triste modernidade a vida passa.
O tempo passa,
Voa ao encontro de um novo nascimento.
E roda, rola, corre, salta...
E quando você percebe a vaidosa existência virou pó.
E toda riqueza cultivada foi pelo ralo, parar (coincidentemente) nos bolsos dos feios corruptos;
É aí que você percebe que viveu apenas para ser funcionário, um fantoche usado para gerar lucros.
(...)


-Cada um é autor de sua própria história; o que vale não é a quantidade de linhas que você escreveu ao longo do livro da vida, mas sim, a qualidade do que foi escrito.



Marina Oliveira

Mar e Lua


No ar flutua o amor sereno da aurora crescente.
O vento sopra o tempo para o cair da noite...
E quando se encontram, num único ponto do horizonte
Entregam-se a paz, vigiados somente, pela luz das estrelas
Que de tão contentes caem céu abaixo...



Marina Oliveira