terça-feira, 15 de setembro de 2009

Pirulicóptero


Estou de mudança.
Vou para uma casinha simples onde poderei desenhar em suas paredes com uma porçãozinha de lápis de cor que peguei quando fui embora.
É um lugar muito engraçado, pequeno por fora, gigante por dentro...
Na parede ao lado da minha cama, desenhei uma porta bem grande, para quando eu despertar num repentino estalo da noite, eu consiga passar com sonhos, estrelas, lençol e tudo que tiver passeando por meus devaneios no momento.
Desenhei em cima do meu criado mudo um alto falante, para que ele deixe de ser mudo e passe a conversar, contar suas fantasias para que todos possam escutar; fiz também uma flor meio árvore, cujo nome é Acróstico, assim não precisarei arrancá-la de seu belo jardim.
Rabisquei várias janelas para que o sol e a lua possam adentrar a qualquer hora; arranquei as portas do meu armário, assim as roupas poderão caminhar livremente.
Na geladeira fiz um pingüim enorme, alí ele estará sempre refrescado.
Coloquei alguns peixes no teto, pássaros e borboletas por todos os lados, desenhei o mar com toda sua grandeza na sala de estar...
E toda noite quando o sono chega, guardo os olhos na caixinha e saio porta afora carregando todo sonho e fantasia que a adultos insistem em me tirar.

OBS.: Somente crianças conseguirão dançar entre as metáforas deste texto.



Marina Oliveira

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Diálogo Confuso Num Mundo Globalizado.


-Quem é você?
-Eu sou... É... Hum... Eu sou eu!
Ora! Mas porque você quer saber quem sou?!
De que isso importa? Você não sabe quem sou?!
Então pra que perguntar?
-Mas quem realmente você é?
-Para que saber quem eu sou, se nem você sabe quem é?
-Eu sei quem sou! Sou apenas um nome qualquer, mas e você, com toda essa classe sabe mesmo quem é?!
-Sei sim! Vejamos... Eu sou o que consta no Registro Geral, apenas.


Marina Oliveira

Recortes de uma cabeça pensante


Recortes de revistas chuviscam o papel.
Descem pelo céu, atravessam a fala como um saboroso mel.
E vão dando vôos rasantes na imensidão da mente,
Dançando.
Reproduzem a infância, gritam a adolescência
E despejam gotículas salgadas quando passam de fase.
Vão caindo pelo chão,
Espalham-se...
Agora o Mar joga suas ondas e recolhe alguns recortes;
Recorta.
Vou colando na areia figurinhas de um sonho.
Mergulho ao som das águas cantantes, nado por toda essa paixão.
Depois volto a recolher alguns pedacinhos esquecidos,
Deixando-os ao pé do ouvido para ouvir uma boa história.
Assim vou andando com minhas revistas...
Trago-as para meu disco voador e vou processando letra por letra.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac...


Marina Oliveira