segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vou ser Poeta.


É mamãe, vou ser poeta!
Daqueles antigos que aprendemos na escola,
Que viviam pra escrever,
E escreviam pra viver.
Dos livros antigos empoeirados do velho baú.
Mamãe vou ser poeta e não adianta insistir!
Não vou ser doutor de branco nem de preto,
Serei aquele das praças, das belas meninas, dos porres malditos
E da gravada mal arrumada sobre um paletó cor de caqui.
Vou ser poeta e você há de ver que do seu pranto farei
Um rio de flores...
-Meu filho, você vai morrer de fome.
-Não mamãe, vou morrer de alegria!


Marina Oliveira

Meu Risco.


Já andei pela beira do mais baixo penhasco,
Hoje caminho na borda do mais alto precipício,
Minha queda tem que ser demasiado espetáculo;
A vida é uma festa!



Marina Oliveira

Chuva.


Chove, chove, chove...
-Para céu, o mar vai transbordar!

Marina Oliveira

O Muro.


Que bela vista esse tempo proporcionou.
A queda d’água por fundo,
As árvores balançando ao sopro do vento...
Mas o que fazer se meu olho só alcança o muro?!
Um muro de cor duvidosa,
Que separa os círculos,
Limita os sons e movimentos.
O que sinto é o muro que desconstrói o sonho;
Limitado, exato,
Exacerbado no centro do que seria a prática de paz e amor.
É tudo um luxo descartável, provável industrial.
O muro passa pela existência e bloqueia o homem,
Fazendo do mundo um paraíso sintético.
-O que mata a sede é coca-cola com chá verde.


Marina Oliveira