sexta-feira, 29 de maio de 2009

A Boca


Eu pinto a boca de vermelho e fico em casa,
Escuto Raul desconstruir mitos que sustentaram o feudalismo.
Rua:
Os computadores da outra sala são retirados,
Agora a conversa é com a carne.
Presente, futuro, ocupação e capital.
Retorno sobre a chuva,
Já não há boca vermelha,
O tempo descoloriu os lábios
E a água borrou os olhos...
O som de outrem quebrou
E no meu toca fitas restou toda arte que ainda será inventada.
Eu tiro a tinta vermelha da cara.
-A boca grita.


Marina Oliveira

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Banho de Mar.


Caia no mar de roupa e tudo,
E sinta que nada além da alma existe,
O mundo é apenas uma suposição
Quando o espaço é material.

Caia no mar durante a madrugada
E observe cada segundo de imersão,
O canto que mora n’água tem a capacidade
De transcender o ego...

Caia no mar quando sentir saudade,
E descubra que tudo o que pensa ser,
É na verdade, um bocado de sal
Nos lábios do mundo.

-Eu sou água, sal e vida.


Marina Oliveira

domingo, 17 de maio de 2009

O Avesso do Inverso


Eu quero o avesso de tudo,
Da carne,
Da fala,
De toda a matéria globalizada,
Eu quero o avesso!
O inverso do inverso.
Desejo ver por dentro do que está fora;
De um outro lado, um novo ângulo, um novo jeito...
Eu quero o inverso do que for correto ou incorreto,
Um meio termo.
Um termo por completo,
Eu quero o incompleto!
Criticar a perfeição,
Admirar tudo que estiver com as pernas pro ar!
Um armário sem roupa,
Roupa sem corpo,
E corpo sem armário.
Eu quero apenas me contradizer e afirmar que o que foi dito
É o contrário de tudo que pretendia falar.
Eu quero o avesso do inverso.


Marina Oliveira

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desconstrução


Mal
Maldito
Mal dito
Dito
Ditoso
Só.




Marina Oliveira.