sábado, 28 de fevereiro de 2009

Caneca com canetas


Um olhar vazio me observa com um ar de quem pede, quase implora por algo.
Um objeto real e totalmente persistente insiste para que seja notado.
Esta caneca presente ao meu lado possui um jeito insolente e grita por atenção. Ela me conquistou. Por sua sabedoria me encantei, esta simples caneca cor de noite possui histórias inacreditáveis...
Um pouco antes de completar 10 anos ela foi promovida, abandonou a vida de café com leite e passou a bisbilhotar as pontas das canetas que nela se abrigavam; esta caneca conhecia os números, as palavras, os poetas que transformam as palavras e principalmente, o poder que elas possuem...
As palavras são a principal fonte de vida e de morte também. Com elas um ser humano é capaz de transformar qualquer caminho.
As canetas possuidoras de uma elegância incomum tentavam ao máximo não deixar transparecer qualquer tipo de borrão, mas isso era impossível, pois as frases transbordavam por sua tinta; a caneca, muito esperta, logo se beneficiou com as informações que chegavam, completas ou incompletas; isso pouco importava, ela conseguia desmistificar, detalhar cada letra e formar uma sentença.
Não me apaixonei pela caneca propriamente dita, nem pelas canetas ou palavras que escapavam a todo instante, me apaixonei pela arte de saber que uma caneca com canetas me leva a um horizonte inexato, que é justamente onde quero chegar.



Marina Oliveira

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Saravá!


Uma outra parte do mar
se cansa da imensidão e procura por terra,
terra amada que apara as lágrimas salgadas
que se derramam do ventre de Yemanjá.
Enquanto Zeus adoça o Olímpo
com um cálice de vinho, todas as culturas
se reúnem como o oceano e a uva num tempo
onde sereias eram pássaros.
Olhai bem o mar de Olokum,
que quando Zeus mandar a chuva
Oxumaré irá encaminhar como oferenda as sete cores
Refletidas no oceano...
Saravá!



Marina Oliveira