segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Roda-gigante


Em um lugar muito distante,
numa galáxia perdida,
num planeta chamado utopia;
Habita o mais belo estado de espírito onde
o nirvana é alcançado com facilidade...
Por isso meu mundo gira, roda, gira, roda, gira.

As borboletas desta terra nunca morrem.
O verde é mais nítido.
Psiquismo roda.
Pessoas voam enquanto o mundo anda em círculo.
Por isso meu mundo gira, roda, gira, roda, gira.

Perfeito equilíbrio com brio.
Meu sol não chora,
o céu é um espelho.
Os malabaristas nunca dormem;
Alegre de viver, de viver...
Por isso meu mundo gira, roda, gira, roda, gira, RODA-GIGANTE!


Marina Oliveira

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

É proibido ficar triste.


Vamos!
Olhe para frente e sorria sempre!
Não importa os meios;
Apenas sorria...
É isso que a sociedade nos propõe:
Impõe que nossos jovens andem na moda, mesmo que esta desfigure sua identidade real, seu caráter;
Se drogue, use e abuse de métodos descartáveis para sustentar a
Pseudo fantasia; assim o capital e as opiniões estarão sempre sob controle.
Ligue a tv, assista todos os programas e se configure no canal que mais lhe satisfaz; Seja programado.
Feche os olhos, assim não cansará sua beleza com todos os crimes impunes.
Seja otimista, e sempre acredite que as crianças que passam fome irão ter uma melhora de vida, elas provavelmente lhe agradecerão por sua boa performance com as palavras, mas já suas ações...
Lave as mãos, afinal, a culpa de todos os problemas é do governo.
Arranque mais uma árvore, seja cético, a fartura nunca acabará.
Seja egocêntrico, esbanje riqueza e não olhe para o lado, é perda de tempo...
Sorria sempre!
Trabalhe sorrindo,
Estude sorrindo,
Caminhe sorrindo,
E até mesmo, chore sorrindo.
Abuse de todas as formas sintéticas para ser feliz.
Neste mundo,
Neste sistema,
É PROIBIDO ficar triste!


Marina Oliveira

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Reticências




Eu:
Não!
Sei;
O que?
Dizer,
Um ponto termina tudo.
-Por isso prefiro as reticências...




Marina Oliveira

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O sol.


O sol nasceu!
Cresceu.
Iluminou.
Queimou.
Ardeu.
Guiou.
Mas ele sempre se põe...
Ficou apenas seu reflexo na lua;
Passou,
Acabou!
Amanhã nasce outro sol...

Um outro lado...


Cheira a enxofre.
Exu,
Quente,
Lúcifer,
Vermelho,
Anjo mal,
Tentador,
Tenho um diabo no meu ombro esquerdo.
Ele até que dá umas dicas, mas quase nunca sigo...
Sou pior que ele.


Marina Oliveira.

Fogo.


Simplesmente, amei-a ao primeiro instante.
Dona de uma beleza incomum e pouco
Observada.
Para os que não a conhecem, antipática.
Mas como é perfeita...
Esse meu mais novo amor não tem fim.
Demasiadamente sincero.
Misteriosa e instigante.
Apenas eu.
Eu e ela.
Minha mais nova paixão queima,
Devaneio meu...
Tudo que quero é sentar-me frente a ela e ali ficar,
Enfeitiçada, numa espécie de transe;
Eu e a pura chama.
Uma bruxa,
Uma fada,
Uma mulher vestida de fogo.
Me aquece e entorpece...
Ilumina a mais bela noite;
Minha alquimista.
Brasa.
Uma fogueira no anfiteatro dos meus olhos.


Marina Oliveira

Só resta-me escrever.




Só resta-me escrever.
Minha inspiração partiu, repartiu.
Sobrou para mim os momentos sonhados,
As lembranças mais doces...
A força que guia esta tinta tomou um novo rumo e
Me deixou apenas,
Apenas amor, inacabado,
Apenas saudade demasiada.
Estala no peito a todo instante a idéia
De não conseguir dar um passo a mais,
Um beijo a mais,
Um abraço deixado para depois...
Um dia sem sol,
Um dia sem canto,
Meu coração explodiu num vazio sem fim.
Estou para ter,
Está para nascer a lua...
Mas quem poderá iluminar meu céu, se as estrelas
Que tinham eu fiz de papel;
Do mais saboroso lábio,
No mais delicado orvalho.
A distância antes próxima,
Agora caminha a centenas...
Incontáveis dias, o amor espera,
Supera.
Só resta-me escrever, já que a vida é curta
E o tempo longo.
Resta-me apenas escrever sobre a utópica tarde do nosso
Filme sem fim.


Marina Oliveira

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Árvore e Mar.


De todas você é a mais bonita
Filha da Natureza, com raízes fortes...
Você é a mais bonita de toda a praça,
ai se eu fosse perfeita como você,
me casaria e ficaria por toda a eternidade ao seu lado!
Árvore.

Você com toda imensidão azul me torta pequena...
uma árvore em meio ao Mar,
pura quimera minha...
Mas como amo!
Como sinto amor por toda sua beleza de Mar!
Mar.

Eu sou seu outro eu!
Sou sua irmã,
seu amor,
somos natureza!
Árvore e Mar.



Marina Oliveira

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Alegria.


A felicidade alimente a alma;
Pena que não é constante, ela
Oscila de acordo com os parâmetros
Do sistema.
É justamente por isso que não sou feliz.
Escolhi ser incondicionalmente alegre.
Isso ocorre freqüentemente...
Quando estou com quem amo, e
Se não estou, fecho os olhos e vôo até ela.
O beijo desperta a alegria que por um instante
Ousou se esconder nas entrelinhas.
Eu mando na minha alegria, ela apenas obedece.
A felicidade é suposição!
Você provavelmente será feliz;
Provavelmente.
Eu sou alegre constante, não dependo de
Palpites para avaliar o grau dos meus sentimentos...
Contos de Fada não existem,
São produzidos.


Marina Oliveira.

O paraíso é logo ali.




Um maço de cigarro,
O meu amor ao lado,
Garrafa na mão,
Dinheiro no bolso
E liberdade de escolha.
O paraíso é logo ali, mas
Demora a chegar.
Aos poucos me afasto dos que me
Amam exageradamente.
São sufocantes.
Pé descalço,
Roupa que gosto,
Lua em cima,
Areia em baixo,
O que eu quiser, no momento exato.
O paraíso é logo ali;
Tem vista para o mundo,
Oxigênio de sobra.
Longe de casa e perto
Da vida...
Sensação inexplicável de não sentir saudade;
é perda de tempo!
Meu paraíso é egoísta, mas é meu.
E de quem eu quiser.


Marina Oliveira

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Intensidade das cores.


O grafite acinzentado rabisca a folha branca,
Mais branca que a neve no topo da montanha
Mais que o branco puríssimo.
Luz fluorescente de prisma único, que observa o verde
Da grama, mais verde que toda natureza.
As cores são mais cores
E o brilho dos olhos reluz mais que espelho.
A loucura é cor,
É brilho,
É fogo,
É utopia intensa colorida em meus olhos.


Marina Oliveira.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sintonia.


Para voar é necessário um pouco mais de sintonia,
Com o céu, com a flora, com o vento...
Enfim,
É preciso que a borboleta ajuste suas diversas cores
Com o universo, que mantenha um mesmo circuito
De freqüência com um cosmo, não importa o qual,
Contanto que esteja sintonizado a um singelo prazer
De liberdade;
Num espaço surrealista e cromático.
Deixando então,
De ser inseto para borboletear,
Colorir como tinta guache,
E respingar quimera nos pequenos mortais
Com grande sintonia.


Marina Oliveira

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Como é belo o mar.


Hoje é dia de sentar-se frente ao mar.
Ah, como é bonito o mar...
O jeito como ele fala é de pura poesia e samba.
E canta, a cada onda encanta;
As meninas que se misturam às águas...
Aí pronto, a beleza mais nobre se confunde.
E quem observa ao longe, não sabe o que é mar ou o que é desejo.
Admira apenas a beleza, toda beleza de um infinito com corpo de água,
Pernas, seios, cor, brilho, cheiro e pecado.
O doce e o salgado enfim se encontraram no centro de meu olhar apreensivo.
E na imensidão azul de ondas e sambas, flutua o
Corpo nu.
Sensível, ingênuo, tímido, porém,
Instigante.
Como é lindo esse mar.
Tarde de samba, areia branca, ondas a ir e vir
No embalo da poética e calorosa tarde.
Como é bom viver no mar, do mar, morrer no mar...


Marina Oliveira

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Estações

Estou com frio
Mas o inverno ainda não chegou
Senti calor no outono.
Na primavera a chuva floriu.
No verão o tempo sorrio.
O mar se fez grande de flores...
Amanhã é incerto,
O hoje sincero.
O passado é presente em mim...


Marina Oliveira

sábado, 31 de maio de 2008

O ser humano é fantástico.


As pessoas deviam ter vergonha de si próprias, vergonha de guardar tanto preconceito e rancor num lugar onde só deveria existir amor e compreensão.
O ser humano é fantástico; vivem numa busca diária de respostas para seus defeitos, apontando e condenando as diferenças alheias. Isso talvez seja uma forma de amenizar o sentimento de fracasso causado pela imperfeição, ou uma maneira mais cômoda de esconder a realidade e de sentirem-se menos incompletos; uma forma medíocre de elevar a auto-estima, que por sua vez é inconscientemente afetada por modismos e padrões de comportamento da sociedade.
Não me engano quando digo que o ser humano é fantástico, eles correm contra o tempo vivendo uma vida utópica, semeando uma empáfia desnecessária... No decorrer dessa viagem engolem a caixa de Pandora por inteiro, camuflam-se em capas norte-americanizadas, se olham num espelho almejando uma beleza narcisista, contudo, esquecem que a imagem é apenas uma das milhões de células que compõem o homem.
Observar com cautela e precisão para dentro talvez seja uma solução. Devemos nos conhecer, perceber que nada é perfeito, que a felicidade se encontra dentro de cada um e que o doce para mim, pode ser o mais amargo dos sabores para o outro... Afinal, o que seria do rosa se todos gostassem do azul?!


[Marina Oliveira]

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ego.


O que quiser.
Sou eu na hora que quero,
Quando quero,
Se for preciso, sou eu.
Só eu me amo como necessito,
Por isso sou o que quero,
O de mais urgente me transforma.
Eu, só para mim sou eu.
Para os outros sou constituída de metáforas
Demasiadas...
O meu riso é só meu,
Rio para dentro.
Isso me basta;
Eu.


Marina Oliveira

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Reflexo.


Um dia você olha para trás e observa com calma e agonia todos os momentos de sua vida,
As risadas, as lágrimas, tudo retorna num momento nostálgico em que você se senta e olha as antigas fotografias, os antigos planos que passam como um filme em sua cabeça, os velhos amigos que ficam congelados para sempre, alguns somente nos papéis...
Você se pergunta se no decorrer de tudo, suas ações foram realmente corretas; se amou pouco, se preocupou demais, se andou com pessoas verdadeiramente confiáveis e assim por diante.
Aí você enxerga, que a vida segue adiante e o tempo engole com voracidade cada pedaço do seu ser, sem pena alguma; alguns choram, alguns fingem estar tudo bem, outros pensam em desistir, cada um com sua característica reação.
Os amigos eternos se separam, cada um toma um novo rumo, e você tem a dura sensação de ter caído no esquecimento, de não ser tão importante como achava ser.
E o mundo continua a girar, e quando menos se espera você cresceu dolorosamente, aprendendo a alquimia da vida... É justamente isso que quero, transformar metais em ouro. Reciclar o passado, para viver num presente mais maduro possível, bebendo a última gota d’água, aprendendo que as pessoas possuem uma espécie de “embalagem” e vai de sua inteligência saber desvendá-las... O futuro é apenas conseqüência, um reflexo das entrelinhas percorridas na vida.


Marina Oliveira

sábado, 26 de abril de 2008

Um sonho.


Após um repentino golpe,
Entra em devaneio...
Utópico.
Irreal.
Lúdico.
Surrealista.
Fantasioso.
Dorme,
Dorme...
Sente o sol.
Inspira.
Relaxa.
Sonha.
-Agora acorda, já está cinza.


Marina Oliveira

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Desabafo.


Eu choro.
Talvez porque tenha coragem demais,
Já que aqui não posso me movimentar muito.
Eu choro.
Talvez porque seja covarde demais,
E não fale muito, para dizer a verdade
Eu nunca falo.
Eu choro.
Eu escrevo.
Ou um ou outro,
Até mesmo os dois, quando me permitem.
Eu amo, eu amo tanto.
Talvez por isso eu chore e escreva.
Mas choro mesmo, pois não me permitem amar explicitamente.
Mas na insolência do meu Ego, eu continuo a amar por dentro
E a chorar por fora...
Por isso eu vivo, ou melhor,
Sobrevivo.
Não há dor mais profunda do que o silêncio,
A opressão.
E eu grito interiormente, de amor.
E eu grito exteriormente, nas palavras.
- Já que minha voz pouco se ouve.


Marina Oliveira

Creio que não.


Alguém aí sabe dizer quem sou eu?
Creio que não...
Nem eu mesmo tenho certeza, para falar a verdade, eu não tenho certeza de mais nada.
Hoje no ápice de minhas dúvidas, perguntei-me se era louca, mas aí eu pensei e repensei, chegando a mesma conclusão de sempre: “Louco mesmo é quem manda tudo para a puta-que-pariu!” E isso eu não fiz, ainda não...
Quando cheguei a este mundo, logo se encarregaram de me rotular, Marina (nome de mulheres muito dadas ao sonho e fantasia), para falar a verdade, esse é o único rótulo que é útil e agradável em minha vida.
Logo nos meus primeiros segundos de vida fora do útero de minha mãe, enfiaram-me goela abaixo, sem ao menos pedirem minha permissão, uma pílula; cujo efeito se mostra gradativamente, porém, com uma velocidade impressionante, se é que alguém me entende...
E em poucos instantes, sob efeito do tal TEMPO, entendi que teria que me moldar de qualquer jeito à vida dos homens.
Ah!
Estes são tão engraçados, sempre me pego distraída rindo da cara deles. Os homens se acham donos da verdade; andam por aí inventando valores, conceitos, modismos... E nunca sequer se questionaram sobre a precisão de suas “incríveis invenções”.
Realmente, este belo quadro só não é mais cômico, pois, os efeitos desta grande bagunça sempre caem sobre a minha pobre cabeça pensante, o que não é nada agradável.
Agora, neste exato momento me pergunto se estou no lugar certo. Olho para um lado, para o outro e vejo milhares de Nada; é um Nada simplesmente perfeito, produzido com a alta tecnologia do sistema. Entretanto, este Nada não passa de capa, de um produto descartável e completamente oco. Pensando bem, não teria lhe dado nome melhor do que Nada.
Eu não me considero um “super-homem”, como falava o bom e velho Zaratustra, me contento, por enquanto, com um Nada composto, um “Nada-alguma-coisa”.
Se realmente ganhamos o “livre-arbítrio” do nosso Papai-do-céu ( é aquele mesmo que mora em uma grande nuvem na imensidão azul, com seus animaizinhos e anjinhos da guarda) creio que, possamos amar e viver com quem quisermos, não é mesmo?!
Mas daí vem todo aquele discurso de liberdade, responsabilidade, e eu não estou com muito saco para falar disso agora.
Sempre tenho a impressão de que vivemos numa grande fábrica, onde, sempre que erramos, o diretor da mesma, vem com suas reclamações sobre os produtos; da um palpite ali, um concerto aqui, aperta um parafuso mais adiante... Isso, com toda a sinceridade existente no meu Ego, digo-lhe: é insuportável.
Acho que vou acabar dando uma de Manuel Bandeira e: “Vou-me embora pra Pasárgada”
O desejo lúdico dele parece mais agradável do que esta merreca de pseudo-felicidade que esta fábrica aplica em seus produtos.
Aqui é tudo tão igual...
Quando não é liso, é esticado, quando não é naturalmente loiro, se pinta os fios.
Creio que essas bonequinhas de luxo não se olhem mais no espelho, e é justamente quando percebem que passaram da validade, aí todas mudam, do corte reto, para a super franja, e assim a roda-viva da futilidade segue adiante...
Com o perdão da palavra, retiro-me agora, para tomar a “Coca-Cola das 17:00” ou posso ser mandada mais uma vez, para o concerto (entenderam a metáfora?).
É, creio que não...


Marina Oliveira

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Eu sou...


Sou uma obra surreal,
Um acróstico,
Uma poesia doce com palavras fortes
No hoje, sou barroca
No amanhã, romântica
Mas certeza mesmo, só do agora...
Agora sou uma explosão.
Um peixe no aquário, de espírito livre,
Sou a gota d’água,
Sou de cor púrpura,
Sou amor,
Sou ódio,
Sou humana.
Vivo o hoje,
Guardo o ontem,
Desejo o amanhã...
Quero beber o mundo num único gole!
Agora, sinto saudade
Agora, sinto fome
Agora, amo.
Sou mar...
Posso ser tanta coisa, que nem mesmo tenho certeza
Apenas sou
Um arco-íris, eu sou.


Marina Oliveira

quarta-feira, 9 de abril de 2008

:o)


O bom da vida é ser palhaça,
das graças e farsas felizes...
Contra o tempo e contra o vento,
assim, de graça; sem cobrar dos
outros a arte da risada engraçada.
Simplesmente palhaça...


Marina Oliveira

terça-feira, 25 de março de 2008

Uma cadeira.


No canto do quarto uma cadeira.
No canto do quadro,
no quarto do pintor holandês.
Uma singela cadeira.
Uma cadeira no vácuo.
Dona de uma força que sustenta.
Uma cadeira macia,
cheia de histórias...
Fica ali, no canto, quase imperceptível.
Assistindo aos surtos mais cheios de arte,
de quem morre pela loucura, ou melhor,
pela mais insaciável
e indescritível paixão às cores.
Uma cadeira dona de tantos sentimentos, que ninguém sente.
Uma simples cadeira no cenário bucólico de Arles.
Impressionista.
Inconveniente.
Assim o gênio das telas se perdia em meio aos girassóis, as cadeiras...
Sangue.
Escorre pela face do artista o sangue,
eis um pedaço de carne que sangra, orelha que eclode de arte.
Loucura?
Não! Apenas sentimentos...
Apenas revolta.
Fantasmas de um antigo pastor inconformado com Deus.
Estava bem com suas idéias, mas seu coração dilacerava,
rasgava seu peito em mil pedaços,
em mil cores.
Ele não se matou, foi assassinado pela incompreensão alheia.
E num estalo de fogo seu peito explode...
Uma cadeira, uma cadeira no quarto,
no quadro,
na alma do artista,
apenas uma cadeira.

-À Vincent Van Gogh.


Marina Oliveira

quarta-feira, 19 de março de 2008

Anna, tenho que te falar dos girrasóis...


Anna tenho que te falar dos girassóis.
Que pararam de girar,
Eles rodavam,
Rodavam, e de tão cansados,
Desprenderam suas pétalas.
Giravam a roda viva que é a vida,
A vida que roda e gira os girassóis.

Anna tenho que te escrever sobre as borboletas
Que saem de seus casulos,
Que criam a vida e levam
Outras cores ao mar amarelo-ouro.
E voam,
Voam, sabre os girassóis que giram.

Anna tenho que te contar das nuvens
Que como flocos de algodão adoçam o céu,
E flutuam sobre os girassóis que giram.
Sobre as borboletas que voam.
Sobre o mar que cintila.
Sobre o homem que mata.



Marina Oliveira

quinta-feira, 6 de março de 2008

Vertical.


Meu amor,
Inconscientemente, te amo.
Nem o brilho dos mais belos astros
Haverão de transluzir todo este
Amor.
Pequeno e grandioso...
Espero,
Quero,
Unicamente a você.
Em seus lábios.
No seu corpo.
Amor e imprecisão
Lutam por um
Único desejo, insaciável.
Incontrolável.
Zelo pelo mais puro dos meus sentimentos, o
Amor a ti.


Marina Oliveira

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Evolução?!


Após o início da vida no planeta terra, todos os seres existentes evoluíram, desde as plantas, até os animais racionais e irracionais, desenvolvendo assim aspectos físicos e psicológicos.
O homem não cresceria como ser humano sem suas atividades e interações com todos os meios possíveis, ou seja, ele não teria evoluído sem se relacionar, sem reproduzir a própria espécie. Porém, durante séculos crescemos de uma maneira inadequada, sem dar o merecido valor a este mundo que nos cerca, que é nosso e que temos a obrigação de por ele zelar. Observamos este reflexo hoje, na destruição da cultura, dos valores e do meio ambiente em geral.
Por outro lado, tivemos avanços na ciência, na área de saúde, na tecnologia, temos a facilidade para fazer de tudo. Entretanto esta situação de produção de bens, concentração de renda, privatização dos meios de produção leva-nos a um modelo de sociedade egoísta, que destrói, desumaniza, aliena e coloca em risco sua própria existência.
Tudo isso nos leva a pensar sobre o rumo da nossa vida e o tipo de “evolução” pela qual estamos passando. A questão é: devemos deixar esse modelo se tornar homogêneo? Não temos todos nós a obrigação de fazer algo para reverter esta situação?!
Enquanto esperamos sentados pela cura do planeta, estamos assistindo a sua degradação, e, por conseqüência, pondo em prática nossa involução.



Marina Oliveira

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Que me levem...


Que tirem tudo de mim!
Minha liberdade
Minhas roupas
Minha imagem
Meu sorriso
Minhas palavras
Que tirem tudo!
Deixem-me nua,
Imobilizada
Incapacitada de responder
A todos os chamados...
Que levem minha sanidade,
Que calem minha boca.
Que me lavem,
Levem-me ao impossível...
Mas o que eu sinto,
Minha essência,
Isso ninguém rouba mais de mim!



Marina Oliveira

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Cansei.




Cansei das minhas fotos
Dos fatos que retratam minha imagem
Ou melhor, destorcem.
Cansei das minhas poses,
Dos meus gestos.
Cansei da sua cara, do seu personagem oco,
Vazio.
De seu amor pela metade, da minha felicidade pela metade.
Quem ama mostra, não impõe!
Irei pedir exílio de você.
Estou tentando suportar todo esse lixo de relação.
Mas não é fácil não...
Do meu futuro sou eu a Majestade!
- Acontece que toda criança, um dia aprende a andar...



Marina Oliveira

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Uma flor


Sou feito da terra,
Da junção dos minerais
Da mais pura sintonia
Entre choro e alegria.

Sou filho do fogo
E de te seguidor
Dele levo veemência
Num calor que afugenta
Anjos e demônios.

Sou fruto da água
E bebo.
E com ela lavo a alma
Límpida, pura, potável.

Sou prole do ar.
Dele me orgulho.
E permito-me levar
Aos quatro cantos do mundo.

Sou dos quatro elementos.
Nasci da união das mais belas substâncias.
Das mais variadas explosões do amor.
Sou uma flor insolente que insiste em brotar
Num jardim proibido.
- Eu sou tudo no mar de nada.


[Marina Oliveira]

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Eu, eu mesma.


Nua e crua,
sem antecedentes.
Não é crime, é paixão
recriminada por muitos.

É doce o sabor da dor que me envolve.
Nasce em mim.
Cresce em mim.
Morre em mim!

O silêncio de um coração
Puro que de veneno transborda
E me mata!

E em pizza tudo acaba na
Madrugada inacabada
De minh’alma

E na empáfia alheia,
Ninguém semeia a felicidade
Que em mim brota,
Brotava...

Aqui dentro é só eu
Contra eu mesma.
Lá fora é utopia.

E nada mais...
Tudo acaba em um mundo faz de contas
Com sorrisos falsos,
Que me amam, porém,
Por mim nada fazem...


Marina Oliveira

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Meu Amor. *


Meu amor é uma poesia,
uma flor de melodia,
meu amor é alegria contagiosa.
é bela como prosa.

Meu amor não tem juízo,
é paraíso perigoso.
Tem alma, tem letra...
Meu amor é um poema!

Meu amor não tem começo
nem fim!
É fantasia que reside em mim.
Meu amor é assim...

Puro recheio,
somente de essência.
Meu amor é um poema!

Meu amor é Maluco!
É metáfora!
É grande novidade,
um show de paisagem...

Meu amor é uma poesia,
que está nas entrelinhas
das palavras em demasia!
Meu amor ta na poesia!
Meu amor é uma poesia!


Marina Oliveira

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Eu.




Eu sou eu comigo mesma.
Sou eu com ela.
Sou eu com ele.
Sou apenas eu e ela.
Sou apenas eu e ele.
Sou eu, somente eu!
Comigo ou contigo...
Sou eu!


Marina Oliveira

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Ausência

Não há inspiração,
ou talvez não seja o momento correto
de exprimir emoções sobre o papel.
As letras se perderam no
oceano conturbado de
mim mesma.
Estou envolta numa cápsula
de palavras que não saem, formando
um epílogo ilegível de quem não consigo ser.
Não há inspiração,
Mas incide em mim o desejo
insaciável de escrever na ausência
do meu ser!


Marina Oliveira

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ei Mar!


Ei Mar!
Um dia eu me atiro de vez em você...
Ai sim,
ai poderei me libertar dos bens materiais que essa
sociedade nos impõe.
Só assim irei esquecer os maus bocados que fora de te passei...
Ei mar!
Um dia eu me entrego de vez aos devaneios
que em você é demasiado.
Ai eu me perco e esqueço que um dia eu
fui isto aqui,
produto importado ou coisa assim...
Ei mar!
Vê se me leva embalado pelas ondas
para perto de Yemanjá.
Para eu poder abandonar a pseudo-realidade que aqui estão a me impor.
Ei mar!
Ai vou eu, com os peixes morar.
No mar, no ar... De céu e luz vou me alimentar.


Marina Oliveira

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Eu e Ninguém.


Ninguém merece o meu sorrir...
Minhas lágrimas, minhas risadas, meus poemas, meu nada!
Poemas para os outros é tempo perdido, pessoas não sabem dar o devido valor à arte das letras.
Por isso dedico a Ninguém!
Este é capaz de compreender o verdadeiro sentimento que transborda em mim.
Ninguém é quem eu quero.
Na hora que quero.
Ele não me falta...
Alguém lastimável que me faz sofrer...
Me dói saber que este não mereça Ninguém como eu.
Amo alguém sem amor a mim.
Ninguém me viu sem metáforas, somente ele é como eu sou, sem preliminares.
Por isso eu não me machuco.
Ninguém é perfeito aos meus olhos,
Ele é meu tudo, meu nada.
Te dou nome próprio!
Ninguém não sai da cabeça, foi feito lá e somente lá o encontro...
Tenho ninguém,
Amo alguém.
Sou Ninguém!


Marina Oliveira

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Rimas...




São as pequenas rimas que dão vida a essa escrita que me sou!
Meus dias são letras desenhadas com imprecisão.
Letras que contam histórias do meu livro.
Vivo um grande livro de letras maiúsculas, minúsculas...
Menina que rima a vida de ondas e formas.
São as grandes escritas que dão rimas a esse livro que me sou!


Marina Oliveira

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O dia que menti em casa...


Choveu!
Mas não eram gotas normais,
Era minh´alma que derramava lágrimas.
Inundou o meu dia, o meu ar.
Eu ria por fora, mas dentro ainda gotejava.
O dia que menti em casa...
Minha terra parou!
Comigo, meu labéu.
Conheci alguém que não era eu, ou era... Talvez
um devaneio, talvez realidade.
Apenas aconteceu!
Uma partícula de mim saiu,
não pude impedir...
Criou vida e lá se foi!
Ousadia achar que não posso errar,
Mas eu achei!
Errei!
Mentira soberana,
tornou meu céu cinza...
Não!
Era púrpura de decepção!
No dia que choveu em casa, eu menti para mim!


Marina Oliveira

Um parto


É como um parto.
Contrações e emoções envolvem-me
ao último vestígio de alma.
Falam-me!
Comem-me!
Devassam-me!
Revelam-me!
Um arrepio toma meu corpo e me arde!
Estou para ter, e vai nascer aqui de dentro.
Sem leito...
Na rua, no chão, nasce do pedaço de ser mais límpido
que não sou.
É como um parto!
Me abro e expulso este meu filho, feito de explosões
desconhecidas de palavras.
Palavras que sentem, queimam...
Sai do espírito humano o poema sem dono,
Que revela com agonia o mais injusto dos sentimentos.
Escrevo por amor a nada!
Escrevo de raiva àquele que me usa
e abusa, me envaidece, me entorpece.
O amor...
É como um parto!


Marina Oliveira

Puta


Puta!
Catapulta!
Catar puta!
Pura puta!
Puta impura,
que sente!


Marina Oliveira

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Tempo


O tempo passou e me deixou
A derreter.
O tempo derreteu e me passou.

O tempo leva e me deixou;
Sem tempo,
Sólido ou líquido...

Eu passei sem olhar
o tempo.
Derreti sem me levar.

O tempo sem tempo de
Ter eu.
Eu sem eu para ter tempo.

Eu me engolir,
e ele fugiu...
Surreal!
Sem mim ele saiu!


Marina Oliveira

Homem


És tu que és sem ser.
Um quente aroma que laça meu corpo
em teu abraço.
Você é sem saber a mais bela das criaturas.

Temperatura que afugenta
qualquer vestígio de frio.
Boca que encontro em macias
pétalas de negras rosas.
Movimentos que soam como a brisa...

És tu, homem meu,
que é sem ser.
Se vai como o sol em um final de tarde,
mas sempre retorna clareando
a lua com seu sorriso radiante.

Perfume de terra nativa,
por ti darei a vida que não tenho.
E em teu corpo entrego-me,
a vida, a morte.

Percorro as entrelinhas do teu
sabor de fruta fresca...
Homem que é sem ser!
Se soubesse o quão fervoroso é, entregava-se
as águas límpidas que em mim passa.

Vem e aquece minh’alma
como numa senzala que de
suor transborda,
lotada.

Cá te espero para levar-me
a um universo escuro e quente;
Que em sua presença é infinito que
ferve entre as mãos...
És tu homem, que é sem ser!


Marina Oliveira

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Meu Brasil




E andando, parando, sorrindo, chorando, cantando, fingindo, gritando, calando, morrendo, sofrendo, amando, e sempre lutando, torcendo, correndo, vivendo, sobrevivendo, me esforçando, trabalhando, caminhando e torcendo…
Sempre torcendo pela pátria, pelo time, pelas cores, pela bandeira e pelos jogadores.
Jogadores: os que correm, os que pulam, os que nadam, os que vencem, os que choram, porém sempre lutam.
Meu Brasil, um país de jogadores e de dores.
De graças e desgraças, um país com taça ou sem taça...
Um país de garras porém gastas!


Marina Oliveira

Hoje



Hoje acordei olhei pela janela e…
Não vi um dia lindo de sol, nem pássaros cantando, e crianças brincando no jardim.
Hoje olhei pela janela e me deparei com um dia nublado, crianças chorando em um jardim de sofrimento, pessoas doentes e morrendo de fome.
Em um breve instante eu parei e pensei:
Hoje ao olhar pela janela, eu vi o Brasil, uma terra linda mas apesar de sua beleza estonteante existe uma ferida que não irá se curar tão fácil.
Queria hoje olhar pela janela e não ver corruptos nem famílias chorando miséria e crianças em sinaleiras.
Hoje, queria apenas olhar pela janela e ver a paz!


Marina Oliveira (Meu primeiro poema! xP)

Boneca de Porcelana




Alguma coisa acontece lá for a, mas eu só vou à escola.
Parada, trancada, calada.
Sozinha e aprisionada em meu mundo sem fundo, sem nexo.
Boneca de porcelana, mal posso cair na lama, e quando caio alguém me lavanta, eu não me lavanto! Mas vou levando.
Confesso tenho tudo que quero, mas não me manifesto. Sempre correta, quando não...
Alguém me concerta, tranca-me, e eu apenas me calo em meu mundo fechado. Talvez bebendo... eu vou correndo, isso não me conforta, me confronta!
Fico tonta, mas de nada adianta.
Preciso apenas de liberdade, liberdade para errar, para chorar.
Mas enquanto ela não chega, eu continuo escrevendo meus versos mudos, incertos e incorretos.


Marina Oliveira

Terra do nada



Terra do nada
O que será?
O que será?
O que será do mar, do mar,
do mar, será do ar?
O fogo ocupa, o que será do fogo,
Do fogo que espalha o ar,
O fogo do mar?
O mar de fogo, o que será?
Arder, ardor, ar, fogo!
Quem, quem, queimar!
O ar, o que será?
O mar de fogo que sobe,
Que sobe para o ar,
Atrás de um Deus,
Pseudo-religião, pseudo-realidade.
Ar! Ar!
Onde?
O fogo sobe e o ar ocupa.
Enquanto o mar desce,
Desce.
Seca, secando, secou!
Fogo que queima, derrete,
Derrete o mar.
O mar de gelo esquenta o espelho...
Espelho que olho,
Olho e vejo o ar,
O ar que é negro, o ar e o mar.
O que será?
Terra sem ar, sem mar,
Com fogo, com sede de mar.
O ar negro reflete o que será!
O que será?
Será o mar de ouro,
O ar de roubo, a terra sem ar.
Mas há!
Há fogo, sem gente, sem gente,
Sem semente, com ouro, com fome de gente.
Enquanto explode a guerra,
a guerra por terra, por mar,
por mar, por terra...
A gente olha e inspira
o ar que é cinza.
Vermelho, preto, cinza!
Cinzas em cima do mar,
do que restou.
Sobra, sobrou,
restou do mar de água.
Água rara!
É seco, seca!
Sem ar, seco!
Sem água, seca!
No chão, chamas.
No ar, cinzas.
No mar, nada!
Sal, sede, sol, nada!
Ouro!
Nadar no mar de nada!
De nada, por nada,
porém... Obrigada!

Marina Oliveira

Continuo a mesma!


Mas um ano se passou porém nada mudou, as pessoas continuam as mesmas, e eu continuo a mesma. Evoluir é claro, mas no fundo continuo uma única pessoa!
Com minhas dúvidas, críticas, perguntas e respostas. Não importa o ano, se é sábado ou domingo. Passo os dias aprendendo como viver e coletando por onde passo pedaços de mim...
Acabou a festa, porém o céu continua o mesmo e minha vida continua a mesma, e eu...
Ah! E eu continuo arriscando, quebrando regras e promessas.


Marina Oliveira

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Que mundo é esse?


Papel
Caneta
Tinta
Quarto
Bronzeador interno,
para passar o inferno
que na verdade n existe...
Estou triste,
estou alegre,
estou alegre!
Estou inerte...
Retrato
Passado
Presente
Rimas fáceis e baratas
constroem estradas
do meu chão!
Mas eu sou feliz!
Faço o que gosto
e não olho os outros.
Que me olhem torto!
Sigo cantando
Canto pra mim...
Escrevo para passar!
Pensar que tudo começa
e um dia acaba.
E eu...
Dou risada,
e continuo a sorrir para quem quiser ouvir,
talvez só pra mim.
Que mundo é esse em que vivo?!
Aqui,
tem arco-íris,
tem teatro,
tem pipoca
e tem palhaço!
Sou uma criança feliz!
Sou um adulto aprendiz...
Eu sou feliz!
Abraço
Irmão
Saudade
Arte
Tarde
Cinema
Poema
...


Marina Oliveira

Cigarros, poemas e existência...


Acendo um cigarro,
penso na existência,
como posso pensar em existir
se fumo um cigarro!?
Escrevo poemas sobre a existência,
porém fumo um cigarro.
Como será existir pelos poemas
e morrer pelo cigarro??
Porém,
tudo acaba com os cigarros,
e se renova com as poesias...
Não sei se paro de fumar
ou paro de escrever...
Parar de existir é mais demorado,
por tanto,
posso diminuir a existência
fumando alguns cigarros.
E os poemas!?
Eles acabam como os cigarros?
Ou evoluem como a existência?
Cigarros,
poemas
e existência,
eu morro,
eu vivo,
ou eu cresço?!


Marina Oliveira

Somos muitos...


Somos muitos,
mas temos pouco,
para nós sempre temos pouco,
apesar de sermos muitos.
Temos pouco dinheiro,
pouca beleza,
pouca sorte,
na verdade,
nunca temos nada!
Somos insatisfeitos,
ambiciosos,
preconceituosos,
somos tudo,
mas sempre achamos que temos pouco.
Queremos sempre mais,
somos uma máquina demolidora
e passamos por cima de tudo
e de muitos outros.
Temos pressa,
temos tanta pressa
que engolimos a nós mesmos.
Somos capazes de apressar
nossa longa vida.
E de pouco em pouco,
escondemos nossos vários valores
dentro de uma caixa,
deixando fora nosso caráter de porco.
Temos pouco,
somos tolos e
somos muitos!


Marina Oliveira

Solução


As vezes fico me perguntando
o que é o universo?
Algo complexo e com distintas
explicações...
As vezes me pergunto o que somos?!
Que ser é esse que tem o poder
da criação e o instinto da destruição?
Tão diferentes uns dos outros.
Por que choramos?
Qual o sentido da existência?
O que será o amor?
O que é tristeza?
São tantas dúvidas,
tantas exclamações
que acabo me perdendo
entre as estrelas e galáxias,
entre meu próprio cérebro.
E as flores,
os animais,
a água!
O que acontecerá daqui
a algumas décadas,
com todo esse lixo humano,
com toda essa guerra?
Será que vamos continuar
com uma visão fantasiada
da nossa própria vida?!
Qual será a solução?!
Se é que ainda existe saída
na mente de pessoas
tão fúteis e prepotentes!


Marina Oliveira

Talvez.


Talvez um dia eu consiga terminar
de fazer tudo o que quero,
talvez eu morra cedo demais.
Quero revolucionar o mundo
com a incerteza da sobrevivência.
Quero gritar,
ser diferente,
acho que nunca fui normal
nem casual.
Não pretendo,
não quero que gostem de mim!
Todos os meus ídolos foram assassinados,
se é que um dia chegaram a existir
na insolência das minhas dúvidas
sem sentido algum.
Quero mudar,
agredir,
sobreviver a uma geração conformada.
Nada irá sobrar,
pois tudo o que tenho de melhor
irá morrer junto a mim.
E aonde quer que eu vá,
o fantasma da minha inquietude
irá me acompanhar,
me fortalecendo
para que eu possa exigir de mim
e dos outros tudo aquilo
que um dia sonhei em fazer,
mas não tive coragem de falar,
de me expressar,
de mostrar toda a minha raiva
e angústia perante
uma sociedade egoísta
e hipócrita.


Marina Oliveira