terça-feira, 30 de março de 2010

Turquesa


Havia uma cortina de flores
Com todas as espécies desta terra
Como eram coloridas as flores
Produziam um perfume doce de pólen

E convidavam as abelhas,
As borboletas
Que deixavam o ambiente ainda mais furta cor
Era uma explosão de vida para meus sentidos

Em pouco tempo chegaram os passarinhos
Cantando suas canções e fazendo estripulias pelo céu
E que céu!
Um tom azul turquesa quase mar...



Marina Oliveira

Para chamar a chuva


Cai chuva!
E que venha contigo a paz pra regenerar
Estes pobres humanos.
Vem lavar a alma dos impuros
Que sujam seus corpos com venenosos produtos
E limpa também os olhos,
Para que possam enxergar o vasto horizonte que vos foi dado.
Cai chuva, e vem com vontade!
Derruba os palácios deste contemporâneo império de ferro.
É o inferno pós-moderno da nossa civilização...
E faz crescer o cheiro das folhas que me lembram a infância.
Vem depressa lavar os rios, que estes peixes respiram pó.
Traz um bocado de amor
Pra fertilizar nossas frutas e embelezar nossas flores.
Enche de VIDA nossas “telenovelas”
Para que as crianças brilhem com sua natural ingenuidade.
Pois no meu tempo a risada era feita através dos banhos de chuva
Na areia do parque.
Traz água.
Traz um sonho pra mim.
-Uma gota de prata na pétala de flor já basta.



Marina Oliveira

quinta-feira, 11 de março de 2010

O Vendedor de Balas


Havia no ponto de ônibus um moço que vendia balas:
-São as deliciosas balas...
Já gritava ele a sua freguesia.
Um estalo suspende sua fala por alguns segundos,
Silêncio.
Um arrepio chega com o vento que fez o ônibus ao passar.
O vendedor muda a fala:
-Vocês não percebem que este império vai ser destruído? As Três-Marias vão derrotar a estrela Dalva na guerra dos céus!
O sinal está vindo para todos, mas poucos conseguem decifrar!
Ele está retornando para a terra...
As águas estão mais violentas e a justiça será feita!
Silêncio.
O semáforo fica vermelho e eu atravesso a rua como se fosse um grande corredor branco.
Entro no ônibus e vou embora.



Marina Oliveira

A Queda


Que aconteceu com seus filhos meu Deus?
Que imploram comida a seus ricos irmãos
E choram por água nas ruas desta imunda cidade

São anjos perdidos na terra, que vieram testar
A indiferença humana perante tuas obras?
Que triste história, oh Deus de Israel!

E não são contos de fadas...
Eu vi na minha porta um ser adormecido
Uma alma desprendida de seu poderoso exército.

Eu li nos seus olhos a história do mundo
Eles mostraram a grande guerra que está por vir
É uma nova era:

Fome e a miséria assolam a terra
A ignorância é massificada
O homem está sendo fabricado: embalagens e códigos de barra

Mas a babilônia está chegando ao fim
Enfim,
Poderei deleitar da fartura de Sião
(...)



Marina Oliveira