quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Reticências




Eu:
Não!
Sei;
O que?
Dizer,
Um ponto termina tudo.
-Por isso prefiro as reticências...




Marina Oliveira

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O sol.


O sol nasceu!
Cresceu.
Iluminou.
Queimou.
Ardeu.
Guiou.
Mas ele sempre se põe...
Ficou apenas seu reflexo na lua;
Passou,
Acabou!
Amanhã nasce outro sol...

Um outro lado...


Cheira a enxofre.
Exu,
Quente,
Lúcifer,
Vermelho,
Anjo mal,
Tentador,
Tenho um diabo no meu ombro esquerdo.
Ele até que dá umas dicas, mas quase nunca sigo...
Sou pior que ele.


Marina Oliveira.

Fogo.


Simplesmente, amei-a ao primeiro instante.
Dona de uma beleza incomum e pouco
Observada.
Para os que não a conhecem, antipática.
Mas como é perfeita...
Esse meu mais novo amor não tem fim.
Demasiadamente sincero.
Misteriosa e instigante.
Apenas eu.
Eu e ela.
Minha mais nova paixão queima,
Devaneio meu...
Tudo que quero é sentar-me frente a ela e ali ficar,
Enfeitiçada, numa espécie de transe;
Eu e a pura chama.
Uma bruxa,
Uma fada,
Uma mulher vestida de fogo.
Me aquece e entorpece...
Ilumina a mais bela noite;
Minha alquimista.
Brasa.
Uma fogueira no anfiteatro dos meus olhos.


Marina Oliveira

Só resta-me escrever.




Só resta-me escrever.
Minha inspiração partiu, repartiu.
Sobrou para mim os momentos sonhados,
As lembranças mais doces...
A força que guia esta tinta tomou um novo rumo e
Me deixou apenas,
Apenas amor, inacabado,
Apenas saudade demasiada.
Estala no peito a todo instante a idéia
De não conseguir dar um passo a mais,
Um beijo a mais,
Um abraço deixado para depois...
Um dia sem sol,
Um dia sem canto,
Meu coração explodiu num vazio sem fim.
Estou para ter,
Está para nascer a lua...
Mas quem poderá iluminar meu céu, se as estrelas
Que tinham eu fiz de papel;
Do mais saboroso lábio,
No mais delicado orvalho.
A distância antes próxima,
Agora caminha a centenas...
Incontáveis dias, o amor espera,
Supera.
Só resta-me escrever, já que a vida é curta
E o tempo longo.
Resta-me apenas escrever sobre a utópica tarde do nosso
Filme sem fim.


Marina Oliveira